Homens portugueses desconhecem doenças que afetam a sua fertilidade

Homens portugueses desconhecem doenças que afetam a sua fertilidade

Esta é uma das conclusões do recente inquérito “Atitudes em relação à fertilidade masculina”, realizado pela GFK, que revela que 40% dos participantes afirmam nunca ter ouvido falar de patologias que afetam o seu aparelho reprodutor.

Imagem actual: infertilidade homem


Os dados recolhidos com este inquérito são preocupantes: a maioria dos homens portugueses pouco ou nada sabe sobre as doenças que afetam o seu aparelho reprodutor, com impacto direto na fertilidade, no bem-estar e na saúde sexual. Termos como orquite ou epididimite continuam a ser praticamente desconhecidos, o que evidencia uma grande lacuna de literacia em saúde masculina.

Para Samuel Ribeiro, especialista em medicina da reprodução e diretor clínico do IVI Lisboa, o problema começa na ausência de acompanhamento preventivo, pois, comparativamente, “as mulheres beneficiam, desde cedo, de consultas regulares e campanhas de rastreio”, sendo por isso fundamental “criar rotinas e campanhas específicas também para os homens.”

O estudo, que analisou respostas de homens entre os 30 e os 50 anos, mostra que o défice de informação é transversal a todas as idades, mas é entre os 40 e os 50 anos que o desconhecimento é mais evidente, precisamente quando muitos tentam ser pais.

Além disso, quase metade dos inquiridos (49,2%) desconhece totalmente o que é a epididimite (inflamação do canal que transporta os espermatozoides) e 49,4% não sabem o que é orquite (inflamação do testículo). A gonorreia também está fora do radar de muitos: 44,6% têm pouca informação e 24,7% nunca ouviram falar.

Mesmo conceitos como infertilidade secundária (dificuldade em engravidar após já se ter tido um filho) são pouco familiares para 41,3% dos homens e totalmente desconhecidos para 32,2%. Os mais jovens também não demonstram muito conhecimento sobre o assunto e 46,4% admitem saber pouco sobre ejaculação retrógrada e 30,6% nunca ouviram falar desta condição.

“Estes dados confirmam que existe um vazio de literacia em saúde masculina. Sem consultas de rotina, os homens não são expostos à mesma quantidade de informação preventiva. Muitas vezes só procuram ajuda quando já têm sintomas”, lamenta Samuel Ribeiro.

O inquérito reforça ainda outra tendência: os homens continuam a desvalorizar fatores de risco como o sedentarismo, a obesidade e a idade, apesar de reconhecerem os efeitos nocivos do tabaco, do álcool e da má alimentação.

Em género de conclusão, os resultados são claros: a falta de informação e de prevenção compromete a saúde masculina. E se o mês de novembro tem sido dedicado à sensibilização sobre cancro da próstata e testicular, o desafio agora é alargar o debate, durante todo o ano, à saúde reprodutiva e à fertilidade, pois, como defende o especialista em medicina da reprodução e diretor clínico do IVI Lisboa, “é preciso que a prevenção deixe de ser episódica e se torne parte da rotina masculina. Só assim será possível quebrar tabus e promover uma verdadeira cultura de saúde”.