Lilly redefine a corrida aos fármacos antiobesidade
Farmacêutica norte-americana Eli Lilly anuncia resultados clínicos de um novo fármaco experimental contra a obesidade que superam a eficácia dos tratamentos atualmente disponíveis, colocando pressão acrescida sobre a até agora dominante Novo Nordisk.

A corrida aos medicamentos para a perda de peso entrou numa nova fase. O medicamento, retatrutide, é um injetável semanal que atua sobre três hormonas-chave na regulação do apetite e do metabolismo – GLP-1, GIP e glucagon –, sendo uma abordagem inovadora face aos fármacos atuais.
Num ensaio clínico de 68 semanas, que envolveu 445 pessoas com obesidade e artrose do joelho, os participantes que receberam a dose mais elevada perderam, em média, 28,7% do peso corporal, o equivalente a cerca de 32 quilos. Para comparação, o Zepbound apresenta perdas médias de cerca de 21%, enquanto o Wegovy ronda os 15%.
Além da redução ponderal, o estudo evidenciou uma diminuição significativa da dor associada à artrose do joelho, reforçando o impacto clínico potencial do tratamento. Ainda assim, os dados de tolerabilidade levantam desafios: 18% dos doentes na dose mais elevada interromperam o tratamento devido a efeitos adversos, sobretudo náuseas. A Eli Lilly sublinha que as desistências foram mais frequentes em doentes com menor índice de massa corporal.
Os resultados surgem num momento de forte afirmação da empresa. As ações da Eli Lilly acumulam uma valorização superior a 30% em 2025, tendo a farmacêutica atingido recentemente uma capitalização de mercado superior a um bilião de dólares. Em contraste, a Novo Nordisk enfrenta uma queda acentuada do valor bolsista, refletindo a crescente concorrência neste segmento.
Paralelamente, a Eli Lilly anunciou um investimento de 6 mil milhões de dólares numa nova unidade de produção nos Estados Unidos, dedicada a medicamentos de nova geração para a obesidade e doenças metabólicas, reforçando a sua aposta num mercado com impacto crescente na saúde pública global.



