Medicamentos GLP-1 utilizados noutras doenças além da diabetes e obesidade

Medicamentos GLP-1 utilizados noutras doenças além da diabetes e obesidade

Medicamentos GLP-1 para tratar a diabetes tipo 2 revolucionam terapêutica da perda de peso e há avanços científicos que promovem a sua utilização noutras patologias, como doenças neurodegenerativas, cardiovasculares e inflamatórias.

GLP-1


Os medicamentos GLP-1 (agonistas do recetor do péptido semelhante ao glucagon tipo 1) são fármacos desenvolvidos para o tratamento da diabetes tipo 2 e que vieram revolucionar as terapêuticas utilizadas na obesidade, devido à sua capacidade de suprimir o apetite e retardar o esvaziamento gástrico, aumentando a saciedade, levando a uma redução na ingestão calórica, sendo também benéficos na redução de riscos cardiovasculares e renais.

Avanços científicos recentes promovem a sua utilização em doenças inflamatórias, esteatose hepática e neurológicas, sendo que a OMS os caracteriza como medicamentos essenciais. A OMS reforça que estes devem fazer parte de um plano que inclui mudanças do estilo de vida (com a implementação de um plano alimentar mais saudável e a prática de exercício fisico) e os pacientes devem ter um acompanhamento por parte dos profissionais de saúde.

Estes medicamentos agonistas de GLP-1 , comercializados em Portugal e autorizados pelo Infarmed : o Ozempic / Rybelsus/ Wegovy (semaglutido) , Mounjaro (tirzepatida), Saxenda/Victoza (liraglutido) e Trulicity (dulaglutido), além de reduzir a glicémia e o apetite, diminuem a gordura visceral e no fígado, e reduzem riscos de mortalidade prematura. O Infarmed alerta para o risco da sua falsificação, o que pode trazer graves riscos para a saúde pública, pelo que só devem ser adquiridos nas farmácias e aconselha os doentes que pensam utilizar estes medicamentos a falarem com um médico e nunca os devem adquirir sem receita médica ou fora das farmácias. Saiba mais aqui.

Novos estudos direcionam a sua utilização para apneia do sono, alcoolismo, doenças neurodegenerativas, doenças inflamatórias, nomeadamente doenças inflamatórias intestinais, doenças cardiovasculares e metabólicas (observando-se com estes medicamentos uma redução de 10% a 20% nos riscos de insuficiência cardíaca, pneumonia e inflamação sistémica), doenças autoimunes e reumatológicas, como a artrite reumatoide, lúpus e osteoartrite.

Os agonistas do recetor de GLP-1 demonstraram efeitos neuroprotetores em doenças neurológicas, em Alzheimer e Parkinson, devido à redução da inflamação cerebral, efeitos anti-inflamatórios e potenciando a ação da insulina. Os avanços na investigação científica sugerem que o uso de GLP-1 pode ser benéfico e retardar a progressão das doenças neurodegenerativas. Os estudos promissores, ainda preliminares, indicam redução de risco de demência (até 68%) e possíveis benefícios em derrames (AVC) e esclerose múltipla. 

Os efeitos adversos mais comuns dos agonistas do recetor GLP-1  são gastrointestinais, incluindo náuseas, vómitos, diarreia, obstipação e dor abdominal, ocorrendo principalmente no início do tratamento ou no aumento da dose. Podem ocorrer em situações mais graves e raras, pancreatite e problemas na vesícula biliar. Pacientes mais sensíveis podem ainda experienciar arritmia e taquicardia com a sua utilização.

Estes medicamentos são contraindicados para pessoas com histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular da tiróide ou síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2 (NEM 2), doença renal grave ou se houver alergia a algum dos componentes dos medicamentos. O uso deve ser evitado durante a gravidez e amamentação. Em casos de doenças pancreáticas devem ser utilizados com precaução, nomeadamente se houver historial de pancreatite.

Já se encontram comercializados suplementos direcionados para pacientes a tomar GLP-1, desenvolvidos especificamente para apoiar as necessidades nutricionais de quem utiliza estes medicamentos, podendo ter aconselhamento com o seu farmacêutico.