Novas opções terapêuticas na Dermatite Atópica
A Dermatite Atópica é uma doença que se manifesta frequentemente em crianças. Existem novas opções terapêuticas disponíveis em Portugal, com vista ao controlo da comichão e inflamação crónica, desencadeando menos efeitos secundários do que os utilizados tradicionalmente.

8 de Fevereiro, 2026
A dermatite atópica (DA) é uma doença inflamatória crónica da pele, comum em crianças em Portugal, sendo que a sua incidência tem vindo a aumentar ao longo dos últimos 40 anos, e atualmente estima-se que afete entre 10% a 20% da população pediátrica.
A DA é uma doença muito comum, mais frequente em áreas urbanas e normalmente surge no primeiro ano de vida e cerca de 80-90% dos casos antes dos 5 anos.
Provoca comichão intensa (prurido), pele seca, vermelhidão, inflamação, piorando com banhos quentes, suor, mudanças climáticas, produtos abrasivos, stress e também pode ser desencadeada devido a alergias alimentares (como o ovo e o amendoim).
O tratamento baseia-se numa hidratação intensiva (com cremes sem perfume e com ceramidas, glicerina, ou ácido hialurónico) e cremes anti-inflamatórios tópicos (Corticosteroides e imunomoduladores para inflamação).
Recomendam-se cuidados como banhos curtos, com água morna, usando produtos suaves (pH neutro), evitar alimentos que desencadeiam alergias (no caso de alergias alimentares que desencadeiam DA), controlar o stress, usar roupas de algodão, e evitar agentes irritantes para a pele da criança. Para casos mais graves, pode ser necessária a toma de corticoides orais, imunossupressores ou biológicos (em ambiente hospitalar).
A DA é frequente na infância, estando ligada a alergias como asma e rinite, e o prognóstico normalmente é favorável, melhorando com a idade (aproximadamente 60% das crianças apresentam diminuição ou desaparecimento completo das lesões antes da puberdade), sendo necessário acompanhamento médico para casos moderados a graves.
É fundamental o diagnóstico e acompanhamento médico para um plano de tratamento adequado, pois a DA afeta a qualidade de vida e pode levar a infeções. Deve também recorrer ao seu farmacêutico que lhe aconselhará os melhores produtos a utilizar para atenuar os sintomas na pele da sua criança e melhorar o seu bem-estar.
Existem disponíveis em Portugal novas opções terapêuticas para o tratamento da dermatite atópica moderada a grave utilizadas na clínica, que reduzem a inflamação mais eficientemente, reduzindo a necessidade de corticoides sistémicos e controlando a doença por um tempo mais alargado: as terapias biológicas/ anticorpos monoclonais biológicos como o Lebriquizumabe (EGGLESS®) aprovado recentemente, além do Dupilumabe (Dupixent®) já aprovado, mas com extensão da idade de uso incluindo bebés, inibidores tópicos de JAK (Janus Quinase) (ainda se encontram em desenvolvimento, atuam localmente provocando menos efeitos secundários do que os sistémicos) e inibidores orais de JAK (como baricitinibe , abrocitinibe e upadacitinibe, que atuam sistemicamente para combater a inflamação, sendo indicados para casos graves. Há ainda terapias topicas inovadoras como o ruxolitinibe (inibidor JAK) em creme, indicado para casos leves a moderados, e o crisaborole (inibidor da fosfodiesterase-4) também utilizado para reduzir a inflamação e a comichão.
Há outros fármacos inovadores que se encontram ainda em investigação, nomeadamente inibidores de IL-31 (relacionados à comichão intensa) , estando a decorrer ensaios clínicos para dermatite atópica direcionados a novas terapias biológicas e pequenas moléculas para casos moderados a graves.
Estes novos fármacos designados também por “bioterapias” constituem importantes alternativas aos tratamentos tradicionais, cujo alvo são vias inflamatórias específicas para controlo da comichão e inflamação crónica, e desencadeando menos efeitos secundários sistémicos do que os imunossupressores tradicionais da prática clínica.
Estudos recentes sugerem que os agentes probióticos podem ser potencialmente benéficos na dermatite atópica, sendo que as crianças a tomar probióticos reportaram uma redução nos sintomas como prurido e vermelhidão. Contudo, os resultados ainda são discutíveis e são necessários estudos futuros para avaliar os efeitos dos probióticos na dermatite atópica a longo-prazo.
A ADERMAP – Associação Dermatite Atópica Portugal – uma associação sem fins lucrativos que apoia e defende os direitos dos doentes que vivem com DA, faculta programas de acesso a dermocosméticos. Promove iniciativas como o programa CuiDAr, que oferece comparticipação especial em produtos de higiene e hidratação.
É recomendado consultar os seus profissionais de saúde incluindo um dermatologista e o seu farmacêutico, para saber quais as opções mais adequadas a cada caso, avaliando a gravidade da dermatite atópica em questão.


