“O farmacêutico tem um contributo incontornável no sistema de saúde”

“O farmacêutico tem um contributo incontornável no sistema de saúde”

Em entrevista exclusiva à Salus Magazine, Humberto Alexandre Martins, presidente da Direção da Secção Regional do Sul e Regiões Autónomas da Ordem dos Farmacêuticos, faz um ponto de situação do primeiro ano de mandato, e explica como foi feito o reforço da proximidade aos farmacêuticos, a promoção da formação e debate científico e a consolidação da articulação com as ULS, afirmando o papel do farmacêutico como agente central na integração e segurança dos cuidados de saúde.

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Quais considera terem sido os principais marcos e conquistas alcançados ao longo deste primeiro ano de trabalho?
O primeiro ano deste mandato foi bastante “curto” tal a intensidade e velocidade com que decorreu. Além da necessidade de nos integrarmos nos processos e atividades de continuidade, foi também um ano de começar a implementar as ideias que apresentamos aos colegas nas eleições de 2025, criando ligações com farmacêuticos, com conhecimento, com a saúde, com a sociedade e com o futuro. Foi também intenso em termos de iniciativas, dado que coube à Secção Regional Sul e Regiões Autónomas organizar dois dos principais eventos da profissão: a Cerimónia do Compromisso Farmacêutico (acolhendo os novos farmacêuticos e os recém-especialistas) bem como o Dia Nacional do Farmacêutico (cumprindo a procura de descentralizar, convidando todos os farmacêuticos do país para celebrar em Tomar, Santarém).

De que forma a Secção Regional tem reforçado a proximidade e o apoio aos farmacêuticos da região Sul e das Regiões Autónomas?
A melhoria contínua das atividades ao serviço dos farmacêuticos é um objetivo da Secção Regional, reforçando ferramentas e momentos de contacto. Qualquer colega pode agendar uma reunião com a Direção na Hora Aberta criada no último ano e disponível para qualquer tema profissional. Modernizámos também a interação com uma plataforma, em desenvolvimento no anterior mandato, para um contacto mais ágil e eficiente com os farmacêuticos que pretendam comunicar alterações do seu estado de inscrição na Ordem dos Farmacêuticos. Estas iniciativas acrescentaram à dinâmica e intensidade de atividades habituais na Secção Regional com um forte destaque para a Formação (quase 6 000 farmacêuticos envolvidos), as Noites da Ordem com debate sobre Inteligência Artificial ou Orçamento de Estado, o Simpósio Científico dedicado à maior atualidade terapêutica nas doenças metabólicas (diabetes e obesidade) ou atribuição de Bolsas de Inovação projetos profissionais e académicos.

Que iniciativas destacaria no âmbito da valorização e afirmação do papel do farmacêutico no sistema de saúde?
O farmacêutico tem um contributo incontornável no sistema de saúde. Anualmente, no SNS, teremos cerca de 45 milhões de consultas médicas, um milhão de internamentos e seis milhões de urgências que comparam com 200 milhões de embalagens de medicamentos em farmácias comunitárias, mais o seguimento em farmácia hospitalar de 100 mil doentes. O medicamento é, de longe, a tecnologia de saúde mais usada e, como tal, os atos farmacêuticos diariamente mantêm uma resposta insubstituível no sistema de saúde. Importa assim reforçar que cada ato é, cada vez mais, centrado na obtenção de ganhos em saúde através da tecnologia do medicamento.

Como avalia o envolvimento dos farmacêuticos nas atividades e projetos promovidos pela Secção Regional durante este período?
A participação dos farmacêuticos segue, naturalmente, o nível geral de participação dos portugueses nas atividades cívicas e de representação que é, genericamente, relativamente baixo. Contudo, destaco duas dimensões: a primeira prende-se com a boa avaliação dos que contactam e participam nas iniciativas da Secção Regional, mudando por vezes perceções de “distância” ou “inatividade” dos que não contactam; a segunda é que a principal responsabilidade por esta interação cabe aos dirigentes com a procura de maior aproximação e contacto.
Ao longo deste primeiro ano, e que continuaremos, temos também continuado a procurar a diversidade da profissão que nos reforça, dinamizando fóruns que aproximam e diferenciam os farmacêuticos que intervém no marketing farmacêutico, nos assuntos médicos e na geração de evidência de mundo real.

Que importância atribui à articulação institucional com outras entidades de saúde e parceiros estratégicos na concretização dos objetivos do mandato?
Ao longo do primeiro ano de mandato reunimos com 16 das 18 ULS da região da Secção Regional, apresentando e representando a profissão farmacêutica. Em todas, quase sem exceção, fomos recebidos pelo Presidente do Conselho de Administração que se fez acompanhar pelo Diretor de Serviços Farmacêuticos e quase sempre também com os Diretores Clínicos de Cuidados de Saúde Primários e de Cuidados Hospitalares. Foram momentos de importância simbólica para a presença farmacêutica com importantes aprendizagens e partilha de perspetivas em relação ao potencial da intervenção farmacêutica para a melhoria de cuidados de saúde que une a profissão à missão das ULS.

Olhando para o futuro, quais são prioridades estratégicas e desafios que pretende consolidar?
Já em 2026, continuaremos a procurar estar mais próximos dos farmacêuticos da região, desconcentrando iniciativas e apoiando mais os colegas no apoio à sua diferenciação em Competências e Especialidades Farmacêuticas. Temos também ideias para concretizar em dois âmbitos estruturantes da atividade farmacêutica: A integração de cuidados no âmbito da reforma das ULS, envolvendo também farmacêuticos, dando continuidade à iniciativa conjunta da Secção Regional com a ULS Alto Alentejo iniciada em 2025. Também a segurança farmacêutica, através da promoção de uma intervenção farmacêutica centrada na segurança do uso de medicamentos no nosso país.

Que mensagem gostaria de deixar aos farmacêuticos da região neste momento simbólico de celebração do primeiro ano de mandato?
A SRSRA da Ordem dos Farmacêuticos não é dos dirigentes ou representantes, sendo de cada farmacêutico que diariamente representa a sua profissão nos atos que pratica. A Ordem existe para estar ao serviço de uma profissão que serve os portugueses. Como tal estaremos sempre disponíveis para qualquer farmacêutico que possamos melhor servir e representar, sempre que acrescentemos saúde em cada ato farmacêutico.