Doentes crónicos temem a Zona, mas metade nunca falou com o médico

Doentes crónicos temem a Zona, mas metade nunca falou com o médico

Quase 8 em cada 10 doentes crónicos com mais de 50 anos (78%) temem o impacto da Zona no seu quotidiano, mas 54% admitem nunca ter tido uma conversa informada sobre a doença com o seu médico. Os dados resultam de um inquérito internacional que envolveu seis mil adultos de dez países, pertencentes a grupos particularmente vulneráveis à doença e foi apresentado a propósito da Semana de Sensibilização para a Zona.

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A Zona, causada pela reativação do vírus varicela-zoster, pode ter consequências graves, sobretudo em pessoas com doenças crónicas. Ainda assim, o estudo revela um desfasamento entre preocupação e literacia em saúde: 25% dos inquiridos acreditam que a sua doença crónica não afeta o sistema imunitário nem aumenta o risco de desenvolver Zona, e 46% desconhecem que estas condições podem elevar o risco de formas graves.

Entre os participantes que já tiveram a doença, 42% relatam dor intensa com impacto significativo no dia a dia. Um terço (33%) afirma que a dor os impediu de trabalhar ou participar em eventos sociais, evidenciando o peso funcional e social da infeção.

Globalmente, estima-se que a Zona possa afetar até um em cada três adultos ao longo da vida. O risco é superior em pessoas com doenças cardiovasculares (+34%), doença renal crónica (+29%), diabetes (+38%) ou DPOC/asma (+41%).

Em Portugal, os dados apontam no mesmo sentido, com o inquérito a revelar que 40% das pessoas com mais de 50 anos não se consideram em risco de desenvolver Zona e 63% assumem desconhecimento sobre a doença. No entanto, entre julho de 2023 e junho de 2024, 62 985 adultos portugueses foram diagnosticados com Zona, com necessidade de recurso aos cuidados de saúde.

“Estes dados mostram-nos uma realidade preocupante: as pessoas, os doentes, sentem medo do impacto da Zona, mas continuam sem a informação necessária para agir. É urgente aumentar a literacia sobre a Zona para que possamos abordar a doença na consulta com o médico assistente e assumir decisões mais informadas, como prevenir através da vacinação.”
José Albino, representante do Movimento Doentes pela Vacinação (MOVA)

O impacto não é apenas clínico. O custo anual estimado da doença em Portugal ascende a 10,2 milhões de euros, incluindo 7,2 milhões em custos diretos e mais de 2,4 milhões associados a absentismo laboral.

“A perceção de risco continua muito inferior à realidade, o que ajuda a explicar o facto da Zona ser ainda subvalorizada, mesmo junto dos doentes crónicos. É fundamental investir em informação clara e acessível (…) É igualmente imperativo que os doentes crónicos se vacinem”, sublinha José Albino, defendendo ainda a comparticipação da vacina para grupos de risco como medida de equidade e sustentabilidade do sistema de saúde.