Estudo reforça importância da reabilitação cardíaca entre sobreviventes de cancro
Programa inovador desenvolvido em Portugal reforça o papel da reabilitação cardíaca na melhoria da qualidade de vida de sobreviventes de cancro, num contexto de crescente valorização dos cuidados integrados em saúde.

A reabilitação cardíaca está a afirmar-se como uma peça-chave no acompanhamento de sobreviventes de cancro. A evidência mais recente vem de um estudo português distinguido no Congresso Nacional da Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação (SPMFR), que destaca ganhos clínicos e psicossociais relevantes nesta população.
O trabalho Impacto de programas de reabilitação cardíaca em sobreviventes de cancro com elevado risco cardiovascular, apresentado por Sofia Meixedo, da ULS Gaia-Espinho, recebeu o prémio de Melhor Comunicação Oral. Desenvolvido no Centro de Reabilitação do Norte, o estudo avaliou um programa estruturado dirigido a doentes com risco cardiovascular acrescido, demonstrando melhorias significativas tanto nos indicadores clínicos como no bem-estar dos participantes.
“Esta distinção representa um reconhecimento do trabalho desenvolvido pela equipa liderada pela Professora Doutora Sofia Viamonte e reforça a importância da integração sistemática da reabilitação cardíaca nos cuidados de suporte nesta população sobrevivente de cancro”, sublinhou Sofia Meixedo.
O congresso da Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação, que decorreu em Braga e reuniu cerca de 500 médicos fisiatras, voltou a evidenciar o papel estruturante da Medicina Física e de Reabilitação ao longo de todo o percurso clínico, da fase aguda à reintegração na vida ativa.
“Os projetos distinguidos (…) reforçaram a relevância dos cuidados de reabilitação e da existência de equipas multidisciplinares em toda a cadeia de cuidados, acompanhando os doentes desde a fase aguda, durante a jornada de recuperação e no regresso à vida em comunidade.”
Renato Nunes, presidente da SPMFR
Entre os trabalhos reconhecidos, destacam-se investigações sobre a fadiga na esclerose múltipla, a reabilitação em crianças com paralisia cerebral e o impacto das patologias músculo-esqueléticas na adesão a programas de reabilitação cardíaca. Este último, distinguido como Melhor Póster, evidencia como a dor e as limitações funcionais podem comprometer a participação no exercício e, consequentemente, os ganhos em saúde cardiovascular.
A diversidade dos projetos apresentados reflete a amplitude da intervenção da Medicina Física e de Reabilitação e a sua crescente relevância clínica. Na categoria de Imagens Clínicas, foi distinguido um caso pediátrico de elevada complexidade, em que a utilização de toxina botulínica permitiu reduzir o tónus muscular e melhorar o conforto de um bebé com Síndrome de Cornélia de Lange.

“Este desfecho traduziu-se num ganho funcional relevante, com impacto direto no conforto da lactente e na qualidade dos cuidados prestados”, destacou Daniela Teixeira, sublinhando “o trabalho multi e interdisciplinar da equipa de Reabilitação Pediátrica do Hospital de Faro”.
Também ao nível da produção científica foram premiados estudos publicados na revista da sociedade, incluindo trabalhos sobre a funcionalidade da mão em doentes com esclerose sistémica e sobre neuropatias periféricas raras. Estas investigações reforçam a importância da avaliação funcional contínua e da intervenção precoce na melhoria do prognóstico.
O conjunto de trabalhos distinguidos confirma uma tendência clara: a reabilitação está a consolidar-se como um pilar essencial nos sistemas de saúde contemporâneos. No caso dos sobreviventes de cancro, a integração de programas estruturados de reabilitação cardíaca surge como uma resposta concreta a necessidades clínicas cada vez mais evidentes.
Num contexto marcado pelo envelhecimento da população e pelo aumento das doenças crónicas, a capacidade de promover autonomia, funcionalidade e qualidade de vida será determinante. A evidência agora apresentada no congresso da SPMFR aponta nesse sentido, mostrando que a inovação clínica, quando sustentada por equipas multidisciplinares e abordagens integradas, pode traduzir-se em ganhos reais para os doentes.




