O Eclipse Solar visto a partir da Farmácia Avenida em Torre de Moncorvo
A proprietária e Diretora Técnica Deolinda Encarnação falou com a Salus Magazine sobre a escassez de óculos para o Eclipse nesta Nobre Vila Medieval do Nordeste Transmontano, no Distrito de Bragança, mas também dos projetos para melhorar o acesso e a adesão à terapêutica da população.

A Farmácia Avenida, em Torre de Moncorvo, foi uma das poucas farmácias do Nordeste Transmontano a conseguir óculos certificados para observar o eclipse solar do dia 12 de agosto. Mesmo assim, o stock não foi suficiente para as centenas de encomendas que criaram uma enorme lista de espera. Qual foi o segredo para receber os óculos atempadamente?
Não há segredo, só planeamento e estar atento às necessidades do mercado e da atualidade. Ter disponível uma vasta rede de fornecedores certificados também contribuiu para o acesso aos mesmos.
O Eclipse Total do dia 12 de agosto de 2026 podia ser visto na zona de Torre de Moncorvo numa percentagem acima dos 99%. A maioria das farmácias não conseguiu garantias de receber a tempo as encomendas. No entanto, foi anunciado na comunicação social que haveria óculos disponíveis para venda em todas as farmácias. Parece-lhe que houve aqui uma falha de comunicação? De quem será a responsabilidade?
Não consigo apontar responsabilidades. Em particular na Farmácia Avenida, estamos mais focados na resolução de problemas do que em apontar culpas. Neste caso particular do eclipse só vai voltar a acontecer daqui a muito tempo. Mas pode ser que sirva de lição para outras situações, para haver um melhor planeamento.
Sendo uma questão de saúde pública que poderá ter consequências graves, em especial para as crianças, o Ministério da Saúde e a ANF deveriam ter articulado este processo em conjunto? Quando falamos de saúde, será sempre do interesse da comunidade em geral, haver articulação entre as várias entidades. E sendo as farmácias, os espaços físicos mais próximos das populações, deveriam ser mais vezes solicitadas para colaborar com o Ministério da Saúde.



A Farmácia Avenida foi criada há mais de 10 anos a partir da transferência de uma pequena farmácia na Freguesia de Carviçais para a sede o Concelho. A antiga Farmácia Central (fundada pela Dra Albertina Salgado, uma das primeiras mulheres licenciadas em Ciências Farmacêuticas na região e que também era professora), manteve-se apenas como Parafarmácia, mas permite a entrega de MSRM sob supervisão da Diretora Técnica da Farmácia Avenida. Na freguesia do Felgar também foi criada uma Parafarmácia. De que forma estes dois estabelecimentos associados à Farmácia Avenida ajudam as populações a aceder a produtos de saúde e a facilitar as entregas ao domicílio?
Num concelho cada vez mais envelhecido, onde muitas pessoas vivem sozinhas, cabe às instituições locais, quer sejam públicas ou privadas, terem esse foco. Na Farmácia Avenida, este é o nosso grande objetivo. Promover de forma global e mais simplificado o acesso à terapêutica das pessoas que não têm como se deslocar. Como costumo dizer, se as nossas entregas facilitarem a vida a uma família, para nós já vale a pena.
Os habitantes de Carviçais perderam a sua farmácia, mas mantiveram um posto e ganharam entregas programadas ao domicílio. Sente que, apesar de tudo, houve um ganho para aquelas pessoas com maior dificuldade de mobilidade e menos recursos?
A transição da Farmácia de Carviçais para Moncorvo já foi na anterior propriedade. Desde 2016, aquando da compra da farmácia, começamos a promover ativamente as entregas ao domicílio. Acredito que para a população a saída da Farmácia de Carviçais na altura, possa ter causado bastante descontentamento, mas, desde há 10 anos, tudo temos feito para a entrega dos medicamentos ser feita de forma cada vez mais célere.


Qual foi o seu percurso como farmacêutica até se tornar Diretora Técnica da Farmácia Avenida?
O meu percurso foi maioritariamente no âmbito da fármacia comunitária. Mas o meu enorme gosto pela dermocosmética levou-me Lisboa onde trabalhei numa empresa de produção de cosméticos. Mas, por motivos pessoais, regressei ao Porto onde fui trabalhar para uma Farmácia comunitária, até à compra da Farmácia Avenida em 2016.
Quais os motivos que a trouxeram a Torre de Moncorvo?
Sou natural de Moncorvo, por isso foi de forma natural a procura de uma farmácia para comprar nesta zona. A antiga proprietária era de bastante longe por isso foi a oportunidade perfeita para regressar às origens e realizar o sonho de ter a minha própria Farmácia.
Qual é o grande desígnio para quem trabalha na Farmácia Avenida?
Como costumo dizer às minhas equipas, procuramos colaboradores ambiciosos, que queiram fazer mais e melhor. Não me identifico com conformismo e passividade. Por isso temos sempre como principal foco o nosso crescimento contínuo e a vontade de inovar e dar sempre as melhores soluções aos nossos utentes e clientes.
Há mais alguma história que queira partilhar?
Neste momento estamos a promover de forma bastante ativa, entregando flyers pelo concelho, a realização da gestão da medicação Individualizada – PIM. Mais uma vez, com uma população envelhecida e polimedicada é uma boa forma de garantir a segurança e a eficácia na toma da medicação por parte dos utentes.




