Histamina pode ter um papel central na regulação do cérebro
Estudo da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto apresenta o primeiro mapa integrado da histamina no cérebro humano e aponta novas pistas para a saúde mental.

Investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) identificaram novas evidências sobre o papel da histamina na regulação do estado cerebral, na saúde mental e no funcionamento cognitivo e emocional. O estudo, publicado na revista Nature Mental Health, apresenta o primeiro mapa integrado do sistema de histamina no cérebro humano, combinando dados de genética, expressão génica, organização celular, neuroimagem molecular e cognição e psiquiatria.
A investigação encontrou uma relação entre variações da histamina em determinadas regiões cerebrais e alterações observadas em perturbações psiquiátricas. Depressão, esquizofrenia, anorexia nervosa e perturbação de hiperatividade e défice de atenção estão entre as condições identificadas neste trabalho.
“Existe uma relação entre variações da histamina em determinadas regiões do cérebro e alterações cerebrais observadas em perturbações psiquiátricas, como depressão, esquizofrenia, anorexia nervosa e perturbação de hiperatividade e défice de atenção.”
Daniel Martins, professor e investigador da FMUP
Os investigadores observaram ainda uma forte correlação entre a distribuição dos genes associados à histamina e funções cognitivas e emocionais, nomeadamente a memória, a dor e o comportamento alimentar. Os resultados contribuem, assim, para uma compreensão mais abrangente deste sistema neuroquímico no cérebro humano.
Apesar de estar habitualmente associada às alergias e ao sono, a histamina tem vindo a revelar uma possível intervenção mais ampla na atividade cerebral. Segundo os investigadores, o sistema histaminérgico encontra-se, contudo, menos estudado do que outros sistemas neuroquímicos, como a serotonina e a dopamina, já utilizados como alvos terapêuticos em diferentes doenças.
As conclusões poderão também abrir novas linhas de investigação farmacológica. “Este trabalho abre caminho para estudos com fármacos que modulam recetores da histamina já usados noutras indicações clínicas. A histamina poderá ser um alvo terapêutico promissor, com um papel no tratamento da fadiga, ansiedade, depressão, perturbações do sono e doenças do neurodesenvolvimento”, afirma Daniel Martins, professor e investigador da FMUP.
A investigação resultou de uma colaboração internacional que analisou o sistema da histamina no cérebro humano através de dados de expressão genética, neuroimagem molecular e ressonância magnética funcional.
Além de Daniel Martins, também investigador do RISE-Health e do King’s College London, participaram no estudo Mattia Veronese, Daniel van Wamelen, Ling Shan, Oliver Howes, Adam Hampshire, Federico Turkheimer e Steve CR Williams. A equipa reúne investigadores de instituições de Portugal, Reino Unido, Alemanha, Itália e Países Baixos.




