Regeneração de retina reverte cegueira

Investigações recentes têm revolucionado a medicina ocular e um dos grandes desafios é a regeneração de retina e a reversão da cegueira. Surpreendentemente, as células do interior do olho podem ser biologicamente reprogramadas para reconstruir partes da retina danificada e restaurar a função visual.

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A regeneração da retina humana ainda não é uma realidade exequível na prática clínica, mas tem havido avanços recentes: com células estaminais pluripotentes induzidas (iPSCs), que são células adultas que foram reprogramadas para voltarem a um estado semelhante ao das células estaminais embrionárias, e deste modo conseguem-se cultivar células da retina em laboratório e investigar doenças degenerativas como a degeneração macular; a utilização de implantes e microchips, dispositivos que se inserem na retina e ajudam a restaurar a visão central dos pacientes; a terapia experimental ER-100 da empresa de biotecnologia Life Biosciences, que se encontra num ensaio clínico de fase 1 para o tratamento de neuropatias óticas, incluindo glaucoma de ângulo aberto e neuropatia ótica isquémica anterior não arterítica (NAION).

O glaucoma de ângulo aberto, constitui uma das principais causas de cegueira nos idosos e os tratamentos atuais atuam principalmente na redução da pressão intraocular, mas não conseguem reparar os danos celulares já estabelecidos.

A NAION é a neuropatia ótica aguda mais comum em pessoas acima dos 50 anos e provoca perda súbita de visão devido à redução do fluxo sanguíneo. Atualmente não existem tratamentos aprovados para esta patologia.

Recentemente, investigadores fizeram uma descoberta revolucionária publicada na revista científica mais conceituada, Nature, que vem revolucionar a medicina ocular, em que as células do interior do olho podem ser biologicamente reprogramadas para reconstruir partes da retina danificada e restaurar a função visual.

Um alvo promissor são as células da glia de Müller, células de suporte que têm funções relevantes como manter a organização e a integridade da retina, fornecer substâncias vitais e canalizar a luz até aos fotorrecetores. Estas células têm potencial regenerativo e os investigadores descobriram que ao manipular genes específicos e proteínas de sinalização, é possível induzir a transformação de células da glia de Müller e as células recém-geradas estabeleceram conexões com outros neurónios da retina e promoveram melhorias mensuráveis ​​nas respostas visuais, na presença de disfunção retiniana severa. Adicionalmente, também conseguiram restaurar a visão reprogramando quimicamente células da pele em células semelhantes a fotorreceptores e transplantando-as para a retina.

Muitas formas de cegueira irreversível ocorrem quando há morte de neurónios retinianos especializados e a medicina atual consegue, por vezes, retardar esses danos, mas ainda é um grande desafio substituir um grande número de neurónios perdidos e reconectá-los ao sistema visual.

O que se pretende, a longo prazo, é levar o olho humano a ativar programas regenerativos que normalmente estão inativos, reconstruindo potencialmente o tecido retiniano a partir de células que já se encontram no organismo.

Esta investigação ainda se encontra num estado pré-clínico pelo que ainda não constitui um tratamento que tenha revertido a cegueira em humanos. Contudo, vem evidenciar que as células da retina de mamíferos poderão ser reprogramadas biologicamente, contrariamente ao que se pensava anteriormente.