Farmácias comunitárias disponibilizam metadona em sete concelhos

Programa do ICAD arranca no início de novembro e permite a toma de metadona em farmácias aderentes, começando em sete concelhos e com alargamento progressivo ao país.

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A partir do início deste mês, as pessoas integradas em programas de tratamento da dependência de opioides vão poder tomar metadona em farmácias comunitárias aderentes. A nova resposta, promovida pelo Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD), INFARMED, Associação Nacional das Farmácias (ANF), Associação de Farmácias de Portugal (AFP) e Ordem dos Farmacêuticos (OF), pretende aproximar o tratamento das comunidades, facilitar o acesso e favorecer a continuidade dos cuidados, informa-se no site do Serviço Nacional de Saúde.

O Programa de Tratamento da Dependência de Opioides com Cloridrato de Metadona em Farmácias Comunitárias arranca nos concelhos de Albufeira, Loulé, Portalegre, Portimão, São Brás de Alportel, Santiago do Cacém e Vila do Bispo, estando previsto o seu alargamento progressivo a todo o território nacional.

A adesão ao serviço exige referenciação prévia e articulação com as equipas responsáveis pelo acompanhamento dos utentes. Os farmacêuticos envolvidos recebem formação específica para assegurar a toma em condições de segurança. A prescrição e a supervisão clínica mantêm-se sob a responsabilidade das estruturas especializadas, com as quais as farmácias estabelecem uma articulação permanente.

“A dimensão desta realidade confirma a importância de desenvolver respostas cada vez mais acessíveis: em 2024, estiveram em tratamento por problemas relacionados com o uso de drogas cerca de 24.100 pessoas na rede pública de tratamento em ambulatório, sendo a heroína a principal substância de consumo identificada em mais de 13.200 casos. A colaboração com as farmácias permite alargar a capacidade de acompanhamento e favorecer os percursos de recuperação e reinserção social”
Joana Teixeira, Presidente do ICAD

A disponibilização da metadona em farmácias comunitárias permite reduzir deslocações e facilitar o acesso ao tratamento nos locais onde as pessoas vivem. A possibilidade de realizar a toma num espaço de proximidade, com privacidade e confidencialidade, poderá também contribuir para reduzir o estigma associado às dependências.

Para Joana Teixeira, presidente do ICAD, a colaboração com as farmácias permite “alargar a capacidade de acompanhamento e favorecer os percursos de recuperação e reinserção social”. Também Ema Paulino, presidente da ANF, destaca a importância de respostas qualificadas e centradas nas pessoas, sublinhando que “a possibilidade de realizar o tratamento na farmácia, com privacidade e confidencialidade, pode contribuir para reduzir o estigma e fazer uma diferença concreta na continuidade dos cuidados”.

Por sua vez, Rui Santos Ivo, presidente do Conselho Diretivo do INFARMED, considera que o programa representa um «passo importante» no reforço do acesso aos cuidados de saúde e na proximidade das respostas às necessidades dos cidadãos.