ANF defende possibilidade de farmacêuticos adaptarem receitas para responder a ruturas

ANF defende possibilidade de farmacêuticos adaptarem receitas para responder a ruturas

Associação Nacional de Farmácias diz que a medida poderia ter um “impacto muito positivo” nas pessoas numa altura em que a falta de medicação se reflete “forma transversal” nas farmácias.

A Associação Nacional de Farmácias (ANF) defende a possibilidade de os farmacêuticos poderem adaptar as prescrições sem, com isso, alterarem a orientação clínica. A proposta foi avançada pela presidente da ANF, Ema Paulino, como forma de mitigar os efeitos da escassez de medicação que se faz sentir no País.

“O farmacêutico ter mais capacidade para substituir, não a intenção do médico, mas trocar uma embalagem pequena por uma grande, ou, trocar em termos de formulações”, propõe Ema Paulino em declarações à “Renascença”, salientando que em termos práticos isto significaria que “em vez de a pessoa tomar um xarope, toma um comprimido, ou vice-versa”.

A presidente da ANF diz que esta medida poderia ter um “impacto muito positivo” nas pessoas numa altura em que a falta de medicação se reflete “forma transversal” nas farmácias.

“Continuamos a sentir todos os dias nas farmácias dificuldade de acesso a alguns medicamentos nas mais variadas tipologias”. “Uma situação que não se tem alterado significativamente nos últimos meses”, reconhece Ema Paulino, que culpa o contexto internacional pela atual dificuldade de acesso a determinados medicamentos.

“O contexto pós pandémico e a guerra na Ucrânia fez com que as cadeias de abastecimento sofressem muitas disrupções”, reconhece. Por outro lado, há “uma readaptação das próprias fábricas de produção para categorias de medicação que não estavam a produzir e que, por sua vez, diminuíram a produção de outros que, durante este período de pandemia, não foram tão necessários como é o caso dos medicamentos para infeções respiratórias, antibióticos”.

Ema Paulino recorda que “há países que foram mais longe” e adotaram “protocolos que estabelecem que, em situação de falha de um determinado medicamento, este pode ser substituído por outro similar”, explica.