Cancro do pâncreas: medicamento experimental com resultados inéditos

Cancro do pâncreas: medicamento experimental com resultados inéditos

Os investigadores testaram o novo fármaco e concluíram que os tumores demonstraram reduções entre 30% e 98% em relação aos seus volumes iniciais.

Um consórcio de médicos testou um medicamento experimental para o tratamento do cancro do pâncreas, tendo demonstrado uma eficácia média de 70% nos tumores testados.

“Trabalho com o cancro do pâncreas há quase 20 anos e nunca tinha visto resultados pré-clínicos como estes”, afirma Kenneth Olive, médico e investigador da Universidade de Columbia, em Nova Iorque, EUA, que liderou a experiência.

Os tumores pancreáticos são compostos por diferentes populações de células que comunicam entre si através da secreção de vesículas extracelulares. Segundo a equipa deste novo estudo, publicado na Nature, o medicamento experimental, que os investigadores denominaram por RMC-7977, foi capaz de interferir com fatores genéticos que estão na origem de cerca de 95% dos cancros do pâncreas mais comuns, os adenocarcinomas ductais pancreáticos, que começam nas células dos canais do pâncreas, uns tubos que transportam sucos digestivos.

Os investigadores testaram o novo fármaco em células cancerígenas de seres humanos e concluíram que o tumor diminuiu em sete de 10 modelos, demonstrando reduções entre 30% e 98% em relação ao volume inicial dos tumores.

“O RMC-7977 como agente único superou o melhor regime de combinação alguma vez registado na literatura neste modelo sistema”, refere o médico, acrescentando que existe uma “possibilidade real de esta abordagem ajudar a mudar o padrão de tratamento dos doentes com cancro do pâncreas”. Contudo, apenas os ensaios clínicos vão poder confirmar estes resultados.