Investigadora portuguesa revela novo mecanismo de deteção do cancro pelo sistema imunitário

Investigadora portuguesa revela novo mecanismo de deteção do cancro pelo sistema imunitário

Estudo internacional coordenado por Filipa Marcelo, da Unidade de Ciências Biomoleculares Aplicadas (UCIBIO) da NOVA FCT, revelou novos mecanismos através dos quais o sistema imunitário identifica células tumorais.

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A investigação demonstra que alterações específicas nos açúcares presentes à superfície das células tumorais – conhecidos como glicanos truncados – funcionam como “verdadeiros sinais de alarme para o sistema imunitário”, com “estes padrões anómalos a permitir distinguir células saudáveis de células cancerígenas, abrindo novas oportunidades para intervenções mais precoces e precisas”, pode ler-se num comunicado partilhado com a imprensa.

No centro desta descoberta está a proteína MGL, um recetor imunitário que desempenha um papel essencial no reconhecimento destas alterações. O estudo mostra que “a capacidade de deteção da MGL depende da sua organização na célula: quando isolada, a proteína reconhece apenas um tipo específico de açúcar, mas no contexto celular consegue identificar vários tipos de glicanos associados a tumores, funcionando como um “detetor universal” de células tumorais”.

Filipa Marcelo, investigadora da Unidade de Ciências Biomoleculares Aplicadas (UCIBIO) da NOVA FCT
Foto: João Lima | NOVA FCT

A equipa recorreu a uma combinação de abordagens químicas, estruturais e celulares para analisar a interação entre a MGL e os glicanos tumorais. Os resultados evidenciam que não só o tipo de açúcar é determinante, mas também a forma como estes estão apresentados na superfície celular e como o recetor imunitário se organiza, fatores decisivos para o reconhecimento eficaz pelo sistema imunitário.

“Descobrimos que não é apenas o tipo de açúcar que importa, mas também como o recetor imunitário está organizado na célula. Esta perceção pode transformar a forma como desenhamos moléculas para modular a resposta imunitária ou direcionar medicamentos às células tumorais.”
Filipa Marcelo, investigadora da Unidade de Ciências Biomoleculares Aplicadas (UCIBIO) da NOVA FCT

Além de contribuir para a deteção precoce do cancro, esta descoberta “abre novas perspetivas para o desenvolvimento de terapias que reforcem a resposta imunitária e para estratégias de entrega mais direcionada de fármacos às células tumorais, reduzindo efeitos adversos nos tecidos saudáveis”.

O estudo contou com a colaboração de investigadores e instituições de vários países, incluindo Portugal (NOVA FCT e i3S), Dinamarca (Copenhagen Center for Glycomics), Espanha (CIC bioGUNE e IUQR), Países Baixos (Amsterdam UMC) e Suécia (Umeå University), reforçando a relevância internacional da investigação liderada a partir de Portugal.