Jovens farmacêuticos apresentaram recomendações para a profissão

Jovens farmacêuticos apresentaram recomendações para a profissão

O Conselho de Jovens Farmacêuticos apresentou os resultados preliminares de um trabalho sobre as dinâmicas e desafios da profissão, que teve como objetivo analisar a evolução demográfica por área profissional dos farmacêuticos inscritos na Ordem.

O Conselho de Jovens Farmacêuticos (CJF) apresentou os resultados preliminares de um trabalho sobre as dinâmicas e desafios da profissão, que teve como objetivo analisar a evolução demográfica por área profissional dos farmacêuticos inscritos na Ordem, bem como dos fluxos de transição de situação profissional e o potencial de especialização dos farmacêuticos.

Desta análise resultaram 12 recomendações relacionadas com a atualização de dados dos farmacêuticos, com a caraterização e transição entre áreas profissionais, com a informação disponibilizada pelas faculdades de farmácia e com a promoção das especialidades farmacêuticas.

O trabalho foi apresentado pelo presidente do CJF, Bruno Macedo, na última reunião do Conselho Farmacêutico Nacional, e vai prosseguir com uma análise mais fina dos resultados apurados, através de questionários, entrevistas e de um novo modelo de participação dos farmacêuticos.

Os dados apurados pelo CJF apontam para uma diminuição da proporção de farmacêuticos jovens a entrar na profissão e um aumento de farmacêuticos mais perto da idade de reforma. Desde 2016, regista-se um decréscimo do número de farmacêuticos da faixa etária 26-30 que opta pela profissão e inscrição na OF, contrastando com um ligeiro crescimento das vagas de acesso ao Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas, o que pode sugerir uma menor atratividade para o exercício da profissão com inscrição na Ordem e mudanças de carreira entre os profissionais mais jovens.

As áreas da Indústria Farmacêutica e Farmácia Comunitária apresentam uma pirâmide demográfica jovem, com maior atratividade para o exercício e proximidade com a Ordem. Pelo contrário, as áreas da Farmácia Hospitalar, Análises Clínicas e Distribuição estão em declínio relativo, com um número de farmacêuticos a aproximar-se da idade da reforma superior ao grupo em início de carreira com registo na Ordem. De acordo com os resultados apurados, o ponto crítico de substituição geracional varia com a área profissional, tendo já sido atingido em Análises Clínicas, no início do milénio, e estima-se que atinja também a Farmácia Hospitalar e a Distribuição dentro de 7 e 5 anos, respetivamente.

O CJF considera importante compreender estas mudanças para o planeamento da força de trabalho farmacêutica, para a qualificação e formulação de políticas no setor da saúde. No entanto, alertam que este trabalho incidiu sobre os dados até final de 2022, pelo que é importante analisar o efeito da Carreira/Residência Farmacêutica a partir de 2023.

A Farmácia Comunitária continua a ser o pilar central para o início e reingresso na profissão e na Ordem. É também a área com maior êxodo para as restantes áreas farmacêuticas. Após aquisição de experiência em Farmácia Comunitária, muitos farmacêuticos procuram especializações em áreas como Indústria Farmacêutica e Farmácia Hospitalar, o que indicia uma preferência por uma maior diferenciação da atividade profissional.

A Farmácia Hospitalar tem sido um polo atrativo para farmacêuticos de outras áreas clássicas da profissão, como Análises Clínicas e Farmácia Comunitária. A área também se destaca como um dos principais focos de reingresso na atividade farmacêutica.

Este trabalho do CJF debruça-se ainda sobre o potencial de especialização entre os farmacêuticos, particularmente aqueles com idade inferior a 40 anos, evidenciando uma clara oportunidade para reforçar o corpo de especialistas na profissão, principalmente em Farmácia Comunitária, mas também nas restantes especialidades farmacêuticos, sublinhando-se a necessidade de reforçar a proximidade entre as especialidades e os farmacêuticos em início de carreira, com o propósito de atrair e reter talento nestas especializações críticas, garantindo assim a evolução e a excelência do setor farmacêutico em Portugal.

Em cada capítulo deste relatório são apresentadas recomendações contextualizadas, que incidem sobre a atualização de dados dos farmacêuticos, sobre a caraterização e transição entre áreas profissionais, sobre a informação disponibilizada pelas faculdades de farmácia e a sobre promoção das especialidades farmacêuticas.