Ordem dos Médicos alerta para riscos do “desafio do paracetamol”
Perante as recentes notícias sobre o denominado “desafio do paracetamol” que circula nas redes sociais, o presidente da Direção do Colégio de Farmacologia Clínica da Ordem dos Médicos (OM) alerta para os riscos associados ao consumo indevido dessa substância.

João Parracho da Costa sublinha que, apesar de se tratar de um medicamento “amplamente utilizado e considerado seguro quando administrado nas doses recomendadas”, não está isento de riscos, sobretudo em contexto de sobredosagem ou quando associado ao consumo de álcool.
“Descoberto no século XIX, começou a ser usado na clínica nos anos 50 e tornou-se num dos fármacos mais consumidos no Mundo. Também se tornou na principal causa de lesão hepática aguda no Ocidente. Nas doses recomendadas apresenta um perfil benefício-risco favorável. Mas a intoxicação por paracetamol mata e o risco aumenta com o álcool, frequente entre os jovens”, afirma.
Alinhado com esta preocupação, o bastonário da OM, Carlos Cortes, recorreu às redes sociais para chamar a atenção para o problema. “O paracetamol é um fármaco eficaz e seguro quando usado corretamente. Em sobredosagem pode causar lesão hepática grave, por vezes irreversível, com necessidade de internamento urgente e, em casos extremos, transplante hepático. O mais perigoso é que, nas primeiras horas, e até no primeiro dia, pode não haver sintomas relevantes. A aparente normalidade engana e atrasa um tratamento que pode salvar vidas”, escreveu.
A intoxicação por paracetamol é uma das principais causas de insuficiência hepática aguda nos países ocidentais. O risco agrava-se quando há consumo concomitante de álcool, uma combinação que pode potenciar a toxicidade hepática.
Perante a circulação de conteúdos virais que incentivam comportamentos de risco, o Colégio de Farmacologia Clínica defende o reforço da literacia em saúde, particularmente junto dos mais jovens. A banalização de medicamentos de uso comum pode contribuir para a perceção errada de que são inofensivos, o que não corresponde à realidade clínica.
A OM apela a que qualquer medicamento seja utilizado de forma responsável, cumprindo rigorosamente as doses recomendadas e evitando associações perigosas, como o consumo de álcool. Sublinha ainda que as redes sociais não podem ser palco para a normalização de práticas que colocam a saúde e a vida em risco.
A prevenção, defendem os responsáveis, passa por “informação rigorosa, supervisão responsável e maior consciencialização de famílias e escolas” para os perigos associados à utilização indevida de medicamentos.


