Robótica revoluciona Medicina

Hospital de Braga realiza primeira Cirurgia Robótica Pediátrica

Unidade Local de Saúde de Braga realiza primeira cirurgia robótica, reconhecendo-se esta instituição como uma referência em inovação cirúrgica minimamente invasiva para crianças.

Foto: CUF

20 de Janeiro, 2026


A cirurgia robótica constitui uma marcada inovação na área da saúde e aumenta as competências das equipas médicas e de enfermagem, de modo a proporcionar uma prática clínica mais segura e avançada. 

O ano de 1985 marcou uma revolução na medicina, com a primeira utilização de tecnologia robótica, o robô PUMA 560 (Programmable Universal Machine for Assembly), numa biópsia neurológica (cerebral). O braço robótico controlado pelo cirurgião permite movimentar a agulha com extrema, contornando a limitação do tremor humano e permitindo movimentos mais finos. Depois deste surgiram outros robôs sendo que a tecnologia Da Vinci (que surgiu no fim dos anos 1990/2000) se tornou a mais utilizada, revolucionando assim as cirurgias minimamente invasivas. 

A Unidade Local de Saúde de Braga realizou a primeira cirurgia robótica em 2025, uma hemicolectomia (procedimento cirúrgico para remover parte do cólon), e efetuou em janeiro de 2026 a primeira cirurgia pediátrica, uma inovação na área cirúrgica que está em expansão em Portugal. Neste procedimento utilizaram o sistema Da Vinci o que aumenta a precisão e a recuperação mais rápida dos pacientes e contaram com o apoio internacional, com especialistas de Espanha e do Reino Unido, pelo que este hospital ficou reconhecido como uma referência em inovação cirúrgica minimamente invasiva para crianças. 

Hospitais privados como o Hospital da Luz e a CUF lideram a implementação do Sistema Da Vinci, enquanto o Serviço Nacional de Saúde (SNS) também está a implementar esta inovação e a adquirir robôs, principalmente nos serviços de urologia e oncologia. 

O Sistema Cirúrgico da Vinci, implementado pelo Dr. Frederic Moll, pai da cirurgia robótica, é uma tecnologia de cirurgia robótica minimamente invasiva, que permite aos cirurgiões realizar procedimentos complexos com maior precisão, usando braços robóticos e visão 3D de alta definição, resultando num menor trauma e numa recuperação mais rápida para o paciente. 

A tecnologia robótica permite alcançar maior precisão, menos invasividade (conferindo também menos dor) e uma recuperação mais rápida para os pacientes, usada em diversas especialidades como urologia (no cancro da próstata, rim, bexiga), cirurgia geral, ginecologia, ortopedia e cirurgia pediátrica. Esta tecnologia está também a revolucionar procedimentos de bypass tanto cardíacos quanto gástricos (bariátricos).

Está tecnologia apresenta limitações, principalmente o seu custo elevado, tal como o requerimento de formação para os cirurgiões e outros médicos, o que implica investir tempo e dinheiro neste processo por parte das instituições de saúde. 

O Hospital da Luz foi o primeiro hospital em Portugal a utilizar a tecnologia robótica em 2010. 

Os hospitais do SNS: Curry Cabral, São João e Santo António no Norte e IPO Porto no Porto, além da Madeira, estão também a implementar sistemas robóticos.

Os riscos associados a utilização destes sistemas equiparam-se aos riscos das cirurgias tradicionais, sendo que os benefícios compensam os riscos, promovendo-se a sua utilização quando possível. 

A Associação Portuguesa de Cirurgia Robótica (APCiR) faculta formação e apoia no desenvolvimento técnico. 

Têm também sido desenvolvidos os nanorrobôs, que permitem utilizar nanotecnologia na aplicação direta de medicamentos em determinadas áreas, sendo exemplos da sua aplicação, a administração de antibióticos e a destruição de células cancerígenas. Estes encontram-se em fase experimental. 

A medicina robótica é, portanto, muito promissora e permite uma intervenção personalizada e mais eficaz, otimizando o diagnóstico e tratamento dos pacientes.