Terapia experimental em fase pré-clínica elimina Cancro Pancreático 

Oncologista espanhol Mariano Barbacid elimina Cancro do Pâncreas a nível experimental

Investigadores do Centro Nacional de Investigações Oncológicas (CNIO) em Madrid, desenvolvem terapia experimental, conseguindo eliminar o Cancro Pancreático. Esta terapia revela-se muito promissora, mas ainda se encontra numa fase pré-clínica, não podendo ser ainda utilizada no tratamento de pacientes.

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O grupo de investigação liderado por Mariano Barbacid, do Centro Nacional de Investigações Oncológicas (CNIO), em Madrid, desenvolveu uma nova terapia experimental que conseguiu eliminar o Cancro Pancreático a nível laboratorial. Este estudo, publicado na revista científica PNAS, revela-se muito promissor no tratamento do cancro pancreático, um dos mais difíceis de tratar, contudo, ainda se encontra numa fase preliminar e terão de se fazer ensaios clínicos antes de poder ser aplicada no tratamento de pacientes.

Esta terapia baseia-se na combinação de três fármacos que atuam em alvos críticos do desenvolvimento e progressão do cancro do pâncreas, bloqueando os mecanismos responsáveis pelo início da doença e a sua proliferação, bem como a resistência aos tratamentos normalmente utilizados nestes tumores. Além da supressão dos tumores mesmo após o fim do tratamento, não se revelaram sinais de toxicidade relevante.

O cancro pancreático é um dos tumores mais agressivos e letais, com uma taxa de sobrevivência muito reduzida. Gastroenterologistas alertam para o aumento deste tipo de cancro que é a quarta causa de morte por cancro na Europa. Em Portugal, também tem um impacto relevante, sendo a sexta causa de morte por cancro, estimando-se que até 2035 seja a segunda causa de morte oncológica. É uma doença “silenciosa”, difícil de diagnosticar numa fase precoce, sendo que normalmente o diagnóstico é feito entre os 55 e os 79 anos.

Portugal também investe na investigação e descoberta de terapêuticas para o cancro pancreático, tendo centros de excelência como o Botton-Champalimaud Pancreatic Center, em Lisboa, sendo que no Porto também ha investigadores empenhados em impedir a comunicação entre células cancerígenas.

Como medidas de prevenção, recomenda-se a adoção de um estilo de vida saudável, com uma dieta rica em vegetais, fruta, carnes brancas e magras, praticar exercício fisico regularmente, manter um peso corporal saudável, não fumar (este é um factor de risco significativo) e limitar o consumo de bebidas alcoólicas, uma vez que 90-95% dos casos este tipo de cancro se deve a fatores ambientais.

No caso de detetar sintomas como dor abdominal ou nas costas, perda de peso e icterícia (pele amarela), deve procurar um médico imediatamente.

Não existe um rastreio para o cancro do pâncreas para a população em geral por este não ser custo-efetivo. Contudo, há rastreios recomendados para grupos de alto risco, como pessoas com história familiar forte de cancro do pâncreas (dois ou mais parentes de 1.º grau), doenças crónicas com predisposições genéticas, ou síndromes hereditários, que fazem exames como ecoendoscopia e ressonância magnética. O rastreio nos indivíduos de alto risco baseia-se em identificar lesões precursoras/lesões pré-invasivas e tumores invasivos precoces.