Estudo revela elevada farmacorresistência na epilepsia em Portugal

Estudo revela elevada farmacorresistência na epilepsia em Portugal

No âmbito do Dia Internacional da Epilepsia, assinalado hoje, estudo da EpiPort conclui que quase metade das pessoas com epilepsia medicadas em Portugal necessita de três ou mais fármacos anticrises para controlar a doença.

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A informação foi revelada pelo estudo epidemiológico EpiPort e divulgada pela Liga Portuguesa Contra a Epilepsia (LPCE), é apontada pelos especialistas como um forte indicador de elevada farmacorresistência no país.

Assim, e de acordo com os resultados do estudo, 43,9% dos doentes medicados recorrem à associação de pelo menos três medicamentos para gerir a condição. Para os clínicos, este número traduz a complexidade do tratamento e levanta preocupações quanto à eficácia das abordagens terapêuticas atuais.

Perante essa realidade, Nuno Canas, neurologista e presidente da direção nacional da LPCE, refere que não se trata de “apenas uma estatística sobre prescrições; é um poderoso indicador clínico de que a prevalência da epilepsia farmacorresistente em Portugal pode ser superior ao que se pensava”, sublinhando que o estudo permite, pela primeira vez em mais de duas décadas, “quantificar a dimensão do desafio a nível nacional”.

Por sua vez, Nuno Brás, Diretor-geral da Angelini Pharma em Portugal, sublinha o compromisso da companhia neste contexto: “Estes dados do EpiPort expõem a luta diária que muitos doentes e médicos enfrentam para gerir uma condição tão complexa. O nosso papel é sermos parceiros na procura de soluções que ajudem a aliviar esse peso. Apoiamos a investigação precisamente para trazer à luz estas realidades, garantindo que o objetivo de uma vida com qualidade e livre de crises seja uma realidade para um número cada vez maior de pessoas.”

A polimedicação representa um fardo significativo para os doentes. A literatura científica associa o uso de múltiplos fármacos a um maior risco de efeitos adversos, como sonolência, tonturas e dificuldades de concentração, bem como a menor adesão à terapêutica e a uma redução da qualidade de vida. O impacto estende-se também ao sistema de saúde, com aumento dos custos diretos para o Serviço Nacional de Saúde e custos indiretos relacionados com perda de produtividade.

Este cenário contrasta com o objetivo definido pela comunidade médica internacional: alcançar a liberdade de crises com o menor número possível de medicamentos, minimizando efeitos adversos e promovendo melhor qualidade de vida.

O EpiPort, conduzido pela LPCE com consultoria técnica da IQVIA e apoio da Angelini Pharma, envolveu um inquérito porta-a-porta a 10 666 pessoas em todo o país. Além de atualizar os dados de prevalência – que indicam que a doença poderá afetar o dobro do anteriormente estimado – o estudo aprofunda o conhecimento sobre o percurso terapêutico dos doentes.

Perante estes resultados, a LPCE defende a “necessidade urgente de reforçar programas de Saúde Pública e otimizar a alocação de recursos, para responder de forma mais eficaz à complexidade da epilepsia em Portugal.