Síndrome de Asperger: inclusão e desafios atuais

Síndrome de Asperger: inclusão e desafios atuais

Assinala-se hoje o Dia Internacional da Síndrome de Asperger, data dedicada à sensibilização para esta condição do neurodesenvolvimento, atualmente integrada no Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

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Desde a publicação do DSM-5 pela American Psychiatric Association e da mais recente Classificação Internacional de Doenças (CID-11) da Organização Mundial da Saúde, o diagnóstico de Síndrome de Asperger deixou de existir como categoria autónoma, passando a enquadrar-se no espectro do autismo, geralmente sem défice cognitivo ou atraso significativo na linguagem. Esta alteração reflete uma evolução no entendimento científico, reconhecendo que o autismo se manifesta de forma ampla e heterogénea.

Ainda assim, o termo continua a ser utilizado socialmente e por muitas pessoas diagnosticadas antes da revisão dos critérios clínicos, que se identificam com esta designação.

A condição caracteriza-se, de forma geral, por dificuldades na interação social e na comunicação não verbal, interesses específicos e intensos, necessidade de rotinas e maior sensibilidade a estímulos sensoriais. Os sinais surgem frequentemente na infância, embora muitos casos só sejam diagnosticados na adolescência ou idade adulta, sobretudo em mulheres, onde a apresentação pode ser mais subtil e mascarada por estratégias de adaptação social.

Nos últimos anos, a investigação internacional tem reforçado a importância do diagnóstico precoce e de abordagens personalizadas. Estudos recentes apontam para benefícios significativos quando o apoio psicológico, pedagógico e social é iniciado cedo, promovendo competências sociais, autonomia e bem-estar emocional.

Paralelamente, tem ganho força o paradigma da neurodiversidade, que defende uma visão menos centrada no défice e mais orientada para o reconhecimento das diferenças neurológicas como parte natural da diversidade humana. Esta abordagem tem influenciado práticas clínicas, educativas e políticas públicas, promovendo ambientes mais inclusivos em escolas e locais de trabalho.

Outra área em destaque é a saúde mental associada. Pessoas no espectro do autismo apresentam maior risco de ansiedade, depressão e isolamento social, o que tem levado especialistas a sublinhar a necessidade de acompanhamento integrado e contínuo ao longo do ciclo de vida. Em Portugal, associações da área, como a APSA – Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger, têm chamado a atenção para a necessidade de reforçar respostas especializadas, reduzir desigualdades regionais no acesso a diagnóstico e intervenção e investir na formação de profissionais de saúde e educação. A transição para a vida adulta — incluindo acesso ao ensino superior e mercado de trabalho — continua a ser um dos principais desafios identificados.

O Dia Internacional da Síndrome de Asperger constitui, assim, uma oportunidade para reforçar a literacia em saúde, combater o estigma e promover políticas que garantam participação plena e igualdade de oportunidades. Mais do que uma data simbólica, trata-se de um apelo à construção de uma sociedade mais informada, acessível e inclusiva para todas as pessoas no espectro do autismo.