Autocuidado pode gerar poupança anual de 9,6 mil milhões de euros em Portugal
Adoção de práticas de autocuidado em situações de saúde ligeiras poderá representar uma poupança anual estimada
de 9,6 mil milhões de euros em Portugal, segundo o estudo O Papel do Autocuidado em Portugal, promovido pela
APIFARMA – Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica, que sublinhou ainda o trabalho das farmácias comunitárias nesse processo.

O trabalho conclui que o autocuidado já tem uma expressão relevante no país e pode desempenhar um papel importante na sustentabilidade do sistema de saúde, sobretudo ao nível dos cuidados de saúde primários e dos serviços de urgência.
De acordo com os dados apresentados, 92% dos portugueses inquiridos referiram ter tido pelo menos um problema de saúde ligeiro no último ano, como constipações, tosse, dores musculares, cefaleias, irritação da garganta ou stress ligeiro. Em mais de metade das situações (55%), o autocuidado foi a primeira resposta adotada.
O estudo mostra ainda que, nos casos em que esta abordagem foi utilizada, 79% das situações ficaram totalmente resolvidas sem necessidade de recorrer posteriormente a um médico. Apenas 1% acabou por necessitar de observação médica após a adoção inicial de medidas de autocuidado.
Segundo a análise, cerca de 47% da poupança estimada corresponde a custos evitados para o Serviço Nacional de Saúde, enquanto os restantes 53% dizem respeito a despesas evitadas pelos cidadãos. O relatório estima ainda que cada aumento de um ponto percentual na adoção do autocuidado poderá gerar cerca de 239 milhões de euros adicionais por ano.
Outro dos dados destacados aponta para o impacto potencial na atividade assistencial. O estudo estima que aproximadamente 39% das consultas de medicina geral e familiar poderiam ser geridas através de estratégias de autocuidado, permitindo otimizar recursos e melhorar a capacidade de resposta do sistema.
Além da componente económica, os investigadores identificaram ganhos ao nível da produtividade. A taxa de absentismo associada ao autocuidado foi de 7%, significativamente inferior aos 36% registados nas situações em que houve recurso direto ao médico.
As farmácias comunitárias surgem como um dos principais pontos de apoio nesta estratégia. Cerca de um terço dos cidadãos que optaram pelo autocuidado recorreram diretamente ao aconselhamento farmacêutico.
Apesar dos resultados positivos, o estudo alerta para várias limitações que continuam a condicionar o desenvolvimento do autocuidado em Portugal, nomeadamente níveis insuficientes de literacia em saúde, ausência de modelos estruturados de intervenção farmacêutica e limitações no acesso a medicamentos não sujeitos a receita médica para determinadas situações clínicas.
O relatório defende, por isso, uma maior integração do autocuidado no sistema de saúde, através do reforço da literacia em saúde, da criação de protocolos de referenciação e da valorização do papel dos farmacêuticos comunitários.
Os resultados deste estudo foram recentemente apresentados numa conferência realizada no Centro Cultural de Belém, dedicada ao impacto do autocuidado na sustentabilidade do sistema de saúde português.




