Aumento do cancro do pulmão em mulheres e não fumadores e reforça apelo ao rastreio precoce

Aumento do cancro do pulmão em mulheres e não fumadores e reforça apelo ao rastreio precoce

Quando se assinala o Dia Mundial do Cancro do Pulmão, GECP alerta para o aumento do cancro do pulmão em mulheres e não fumadores e reforça a importância da prevenção, do rastreio e da inovação terapêutica.

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No Dia Mundial do Cancro do Pulmão, assinalado hoje, o Grupo de Estudos do Cancro do Pulmão (GECP) alerta para a evolução do perfil epidemiológico da doença, marcada pelo aumento da incidência em mulheres e em pessoas que nunca fumaram. A associação defende o reforço da prevenção, do rastreio e do acesso à inovação terapêutica para melhorar a sobrevivência.

O cancro do pulmão continua a ser a principal causa de morte por doença oncológica em Portugal e no mundo. Para assinalar o Dia Mundial do Cancro do Pulmão, o GECP apela ao reforço da literacia em saúde, da prevenção e do diagnóstico precoce, destacando que a evolução da medicina de precisão está a transformar o prognóstico de muitos doentes.

Os dados internacionais mais recentes mostram uma alteração do perfil epidemiológico da doença. Enquanto a incidência nos homens tem vindo a estabilizar, refletindo o impacto das políticas de controlo do tabagismo, os diagnósticos em mulheres e em pessoas que nunca fumaram continuam a aumentar. Em paralelo, a investigação demonstra que a exposição à poluição atmosférica por partículas finas (PM2.5) e ao gás radão está associada a uma parte significativa dos casos em não fumadores, nos quais são mais frequentes alterações moleculares suscetíveis de tratamento com terapêuticas dirigidas.

Para Ana Barroso, secretária da Direção do GECP, “a mensagem que queremos deixar hoje é clara: o cancro do pulmão pode ser evitado e, quando não o é, pode ser detetado a tempo”. A especialista sublinha que eliminar o consumo de tabaco, evitar a exposição ao fumo passivo e reduzir a exposição a poluentes ambientais continuam a ser as medidas mais eficazes para diminuir o risco da doença.

“Os grandes estudos europeus provaram que a implementação de programas organizados de rastreio através de Tomografia Computorizada de baixa dose reduz a mortalidade em até 24% nos homens e mais de 30% nas mulheres. Detetar o tumor numa fase inicial faz toda a diferença entre a possibilidade de cura e um prognóstico complexo”.
Ana Barroso, secretária da Direção do GECP

Para os profissionais de saúde, esta mudança epidemiológica implica um maior grau de suspeição clínica, mesmo perante doentes sem história de tabagismo. O GECP recorda que sintomas persistentes, como tosse crónica, dispneia, dor torácica, fadiga inexplicável ou perda de peso, justificam avaliação médica atempada e podem permitir o diagnóstico em fases potencialmente curáveis.

A associação destaca ainda que a oncologia torácica atravessa uma profunda transformação graças às terapêuticas-alvo, à imunoterapia e à utilização de biomarcadores para orientar decisões terapêuticas. “Hoje conseguimos desenhar tratamentos personalizados e muito mais eficazes para cada pessoa. O cancro do pulmão já não é uma sentença imediata. Mas para que estas terapêuticas inovadoras funcionem da melhor forma, precisamos que os doentes cheguem até nós o mais cedo possível”, afirma Ana Barroso.

Sob o mote Nem todos os cancros do pulmão são iguais, o GECP defende uma estratégia integrada que inclua políticas eficazes de controlo do tabagismo, redução dos fatores de risco ambientais, implementação de um programa nacional de rastreio, reforço da capacidade diagnóstica e acesso atempado às terapêuticas inovadoras.