Hipertensão Arterial: Portugal pode e deve fazer mais e melhor
Portugal continua a falhar no controlo eficaz da hipertensão arterial, mas um novo estudo mostra que é possível mudar o cenário com estratégias bem aplicadas nos cuidados de saúde primários.

A hipertensão arterial (HTA) continua a ser um dos maiores desafios de saúde pública em Portugal e no mundo. Considerada uma doença silenciosa, por ser frequentemente assintomática, é também uma das principais causas de morte e incapacidade no país. Estima-se que existam em Portugal cerca de 2,7 milhões de adultos hipertensos, segundo o Global Report on Hypertension da Organização Mundial da Saúde (OMS, 2023).
Apesar de avanços pontuais, os dados mais recentes mostram que o controlo da HTA em Portugal continua insuficiente. Menos de metade dos doentes hipertensos estão medicados, e apenas 11,2% têm a pressão arterial sob controlo, segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS). Outros estudos, como o PHYSA, apontam para uma taxa de controlo ligeiramente superior (42%), mas ainda longe do desejável.
Estudo GPHT-PT mostra que é possível fazer melhor
Uma luz ao fundo do túnel surge com os resultados preliminares do estudo GPHT-PT, conduzido pelos médicos Jorge Polónia (ULS de Matosinhos e FMUP) e Raul Marques Pereira (ULS do Alto Minho). Publicado na revista científica Blood Pressure (2024), o estudo demonstra que uma abordagem estruturada, com seguimento próximo e aplicação de guidelines internacionais, pode alcançar taxas de controlo até 82% nos cuidados de saúde primários.
Contudo, os autores alertam: este sucesso depende de estratégias replicáveis, investimento em formação dos profissionais e compromisso contínuo com os doentes.
“Este trabalho reforça o papel da medicina geral e familiar e da organização dos cuidados de saúde primários na resposta à HTA. A estratégia deve continuar a apostar na educação para a saúde, nos rastreios e na adesão à terapêutica”, defende o Prof. Jorge Polónia.
Nova fase do estudo a caminho
Dada a relevância dos resultados, está já em preparação a segunda fase do GPHT-PT, que continuará a acompanhar os mesmos doentes. O objetivo? Validar as boas práticas clínicas e transformar os bons resultados em modelo para uma resposta mais robusta e uniforme em todo o sistema nacional de saúde.
Como prevenir e controlar a hipertensão
Embora não tenha cura, a hipertensão pode ser controlada com medicação e mudanças no estilo de vida. As autoridades de saúde recomendam:
- Não fumar
- Reduzir o consumo de sal
- Praticar atividade física com regularidade
- Evitar o consumo excessivo de álcool
- Manter um peso saudável
- Medir regularmente a tensão arterial
- Aderir à medicação prescrita
É essencial lembrar que a HTA pode passar despercebida durante anos, mas o seu impacto é devastador: aumenta o risco de enfarte, AVC, insuficiência renal e outras complicações cardiovasculares graves. Quando surgem, os sintomas podem incluir dores de cabeça, tonturas, palpitações, dor no peito e falta de ar — sinais que não devem ser ignorados.