José Henriques: um farmacêutico candidato à Câmara Municipal de Castelo Branco
Licenciou-se em Ciências Farmacêuticas na Universidade de Coimbra, fez um Mestrado em Distribuição e Logística pelo Instituto Superior Técnico, foi Diretor Técnico da Plural CRL e é atualmente Diretor Técnico da sua farmácia na freguesia de Orvalho. No início de 2025 apresentou a sua candidatura à CM de Castelo Branco pela Iniciativa Liberal.

O que leva um jovem farmacêutico a concorrer, como líder de uma equipa liberal, à autarquia de Castelo Branco?
O facto de ser farmacêutico foi uma coincidência. Entrei na política e em específico na Iniciativa Liberal mais pela minha condição de empresário do que propriamente de farmacêutico, uma vez que senti que, como empresário, não conseguia desenvolver a minha empresa e valorizar os meus funcionários de forma adequada com a elevada taxa de impostos que é exercida sobre as pequenas e médias empresas neste país.
“É claro que ser farmacêutico levou-me também a ter interesse pela área das políticas da saúde que são implementadas no nosso país, se bem que a nível local é sempre difícil implementar medidas e soluções disruptivas, dependemos sempre do estado central e dos governos para poder fazer alterações legislativas que melhorem a vida e a saúde dos cidadãos.”
O que me levou a concorrer e a aceitar este desafio foi o facto de sentir que no meu concelho, Castelo Branco, as candidaturas apresentadas nos últimos anos, diria até décadas, nada contribuíram para uma diferenciação positiva do nosso território, apenas apresentam medidas paliativas para a desertificação e para o envelhecimento da população, e considerei que era necessário dar um passo no sentido de apresentar propostas e soluções para acabar com a apatia de Castelo Branco.
Com raras e honrosas excepções, os profissionais da área farmacêutica são avessos à participação política. Por que motivos não há mais envolvimento dos farmacêuticos na vida pública e associativa?
Considero que o facto de tal acontecer tem a ver com a elevada ocupação do dia a dia a que a nossa atividade obriga. Os profissionais farmacêuticos, das mais diversas áreas, estão cheios de trabalho nas suas atividades diárias nas suas farmácias ou hospitais ou qualquer outra área. Sobra pouco tempo para dedicarem à atividade política ou associativa ou até mesmo social nas suas cidades ou vilas. Infelizmente, e tenho sentido isso, mesmo uma candidatura desprovida de qualquer outra intenção que não a de apresentar medidas positivas para o concelho, é vista como um ataque ao poder a qualquer custo, e isso também é desmoralizante para a nossa classe. É também difícil conciliar uma candidatura política a uma autarquia capital de distrito com a vida profissional e familiar, mas ao mesmo tempo é um desafio extremamente compensador sentir que as nossas ideias e soluções podem de facto contribuir para uma melhor qualidade de vida.


Há mais farmacêuticos na sua equipa para estas eleições?
Apesar de ter efetuado alguns convites a colegas do concelho, não consegui convencer nenhum deles a acompanhar-me nesta candidatura, pelo que sou o único farmacêutico que integra a nossa candidatura.
As dificuldades de acesso à saúde são uma realidade em todo o país. Como é que os últimos autarcas de Castelo Branco lidaram com este problema?
Castelo Branco é, a nível de capitais de distrito, uma das únicas que não tem oferta privada em termos de hospitais, o que mostra que a aposta na saúde e na sua oferta não tem sido uma prioridade dos últimos executivos da nossa autarquia. Apesar de termos uma ULS robusta e, apesar das dificuldades, expedita a dar resposta às solicitações da população, a Câmara Municipal pouco tem contribuído para esta situação. Agora, em final de mandato, apresenta duas construções de centros de saúde no concelho, tardias e à pressa, para mostrar obra feita no final dos 4 anos de executivo. Muito curto para a realidade da nossa cidade e das nossas freguesias.
Se for eleito, que medidas irá tomar para minorar as dificuldades dos doentes?
Iremos pugnar pela implementação de oferta privada de saúde em Castelo Branco, para, por um lado, retirar pressão à ULS de Castelo Branco, e, por outro, aumentar a qualidade dos serviços prestados à nossa população. Também temos várias medidas que visam relevar a medicina preventiva como forma de prevenir futuros constrangimentos nas unidades de saúde, como programas de cessação tabágica camarários, incentivos à pratica desportiva para os maiores de 60 anos, aumento das atividades ao ar livre e acordos com ginásios e associações desportivas para a pratica de desportos para toda a população, e o programa cheque psicólogo, que irá permitir que toda a população de Castelo Branco tenha acesso a consultas de psicologia, privadas ou publicas, para melhorar em muito a saúde mental da nossa população.
E na sua farmácia, de que forma tentam lidar com as contingências dos seus utentes sem Médico de Família?
A minha farmácia insere-se num meio rural, pequeno, num concelho limítrofe de Castelo Branco (Oleiros). Felizmente temos contado com a colaboração da autarquia local, que permite que a população tenha médico de família duas vezes por semana na localidade. Isso faz com que, juntamente com a farmácia aberta 55 horas por semana, a população local tenha um bom acesso à saúde e estejamos dentro dos concelhos em que o acesso da população ao médico de família não é um problema muito grave. Aqui ao lado, no concelho do Fundão, infelizmente as populações deste concelho mais próximas aqui da farmácia já não podem dizer o mesmo, e têm tido mais dificuldade no acesso a consultas de medicina geral e familiar. Na farmácia, tentamos ajudar da melhor forma possível, cedendo sempre que possível a medicação de forma prévia à chegada do receituário, para que não haja situações de falta de medicação.



