Jovens profissionais de saúde apelam a pacto transdisciplinar
A propósito do Dia Mundial da Saúde, Plataforma de Jovens Profissionais de Saúde entrega carta ao Presidente da República e defende pacto para a saúde que ultrapasse ciclos políticos.

A Plataforma de Jovens Profissionais de Saúde entregou, sob o pretexto do Dia Mundial da Saúde, uma carta ao Presidente da República, António José Seguro, apelando à criação de um Pacto para a Saúde “transversal, abrangente e à prova de ciclos políticos”.
A iniciativa surge num ano simbólico, em que se assinalam os 50 anos da aprovação da Constituição Portuguesa, e pretende reforçar a necessidade de um compromisso estrutural para o setor. Na carta, a plataforma manifesta expectativa face ao desígnio presidencial de promover este pacto, sublinhando, no entanto, que o seu sucesso dependerá de uma escuta efetiva de todos os intervenientes.
A Plataforma, que reúne várias associações da área da saúde, defende que o processo deve assentar numa abordagem inclusiva, envolvendo profissionais, academia, instituições e sociedade civil. O objetivo é garantir que as soluções refletem a realidade do terreno e respondem de forma consistente aos desafios do sistema.
“Uma geração de jovens profissionais de saúde que não viveu 74, nem 76, nem 79, nem 90” assume-se como parte ativa deste debate, procurando contribuir para um modelo mais sustentável e equilibrado. Na carta, os signatários identificam o Presidente da República como um interlocutor privilegiado para elevar a discussão acima da conjuntura política.
Entre as principais preocupações destacadas está a necessidade de conciliar a missão de cuidar com condições profissionais dignas, com a plataforma a rejeitar a ideia de que o compromisso com os doentes deva ser incompatível com um contexto de trabalho seguro, justo e estimulante.
Ao mesmo tempo, os jovens profissionais defendem uma abordagem integrada da saúde, alinhada com o conceito de Uma só Saúde, que considera a interligação entre saúde humana, animal e ambiental. Neste âmbito, alertam também para as desigualdades territoriais, sublinhando que “o código postal não pode ser fator de desigualdade na resposta às necessidades de saúde”.
A carta apela à magistratura de influência do Presidente para garantir que o futuro pacto tenha estabilidade e credibilidade, assumindo-se como um compromisso de longo prazo. “A credibilidade e a estabilidade desse compromisso dependem, em larga medida, de uma chancela institucional que o eleve acima da conjuntura”, refere o documento.
Mais do que um apelo, a Plataforma de Jovens Profissionais de Saúde afirma-se como parte da solução, manifestando disponibilidade para participar ativamente na construção de políticas públicas. “Terá sempre nesta geração uma voz desperta, cooperante e empenhada em participar no desenho desse futuro”, concluem.
“Este desfecho traduziu-se num ganho funcional relevante, com impacto direto no conforto da lactente e na qualidade dos cuidados prestados”, destacou Daniela Teixeira, sublinhando “o trabalho multi e interdisciplinar da equipa de Reabilitação Pediátrica do Hospital de Faro”.
Também ao nível da produção científica foram premiados estudos publicados na revista da sociedade, incluindo trabalhos sobre a funcionalidade da mão em doentes com esclerose sistémica e sobre neuropatias periféricas raras. Estas investigações reforçam a importância da avaliação funcional contínua e da intervenção precoce na melhoria do prognóstico.
O conjunto de trabalhos distinguidos confirma uma tendência clara: a reabilitação está a consolidar-se como um pilar essencial nos sistemas de saúde contemporâneos. No caso dos sobreviventes de cancro, a integração de programas estruturados de reabilitação cardíaca surge como uma resposta concreta a necessidades clínicas cada vez mais evidentes.
Num contexto marcado pelo envelhecimento da população e pelo aumento das doenças crónicas, a capacidade de promover autonomia, funcionalidade e qualidade de vida será determinante. A evidência agora apresentada no congresso da SPMFR aponta nesse sentido, mostrando que a inovação clínica, quando sustentada por equipas multidisciplinares e abordagens integradas, pode traduzir-se em ganhos reais para os doentes.




