Primeira Rede de Farmácias de Referência para situações de emergência e catástrofe nasce em Leiria
Leiria vai ser o primeiro concelho do país a integrar formalmente uma Rede de Farmácias de Referência no Serviço Municipal de Proteção Civil e no Plano Municipal de Emergência.

O projeto-piloto, desenvolvido pela Câmara Municipal de Leiria e pela Ordem dos Farmacêuticos (OF), pretende garantir o acesso contínuo a medicamentos e serviços farmacêuticos em cenários de crise e poderá servir de modelo para outros municípios.
A iniciativa surge na sequência da tempestade Kristin, que afetou gravemente a região de Leiria no início de 2026 e evidenciou a necessidade de integrar, de forma estruturada, as farmácias comunitárias nos mecanismos municipais de resposta a situações de emergência.
Para a OF, o projeto representa um passo importante no reconhecimento do papel das farmácias comunitárias enquanto estruturas essenciais de proximidade e reforça a intervenção dos farmacêuticos na proteção da saúde pública em contextos de exceção.
“As lições retiradas da tempestade mostraram que a preparação é essencial para proteger a população”, afirma Ana Valentim, vereadora da Saúde da Câmara Municipal de Leiria. A responsável sublinha que “este projeto reforça a capacidade de resposta do concelho perante situações de emergência e catástrofe e garante a continuidade do acesso da população aos medicamentos e aos serviços farmacêuticos”. Segundo a autarca, o objetivo passa por “afirmar Leiria como uma referência nacional na preparação para situações de emergência, através de um modelo pioneiro e replicável noutros territórios”.
A adesão das farmácias será voluntária e organizada em três níveis de preparação, permitindo uma integração gradual de acordo com a capacidade de cada unidade. O nível mais elevado corresponde à classificação de Farmácia de Referência Municipal, atribuída às unidades que cumpram requisitos técnicos e operacionais específicos, nomeadamente em matéria de segurança, autonomia energética, comunicações, manutenção da cadeia de frio e cibersegurança.
Numa primeira fase, prevê-se a integração de sete a dez farmácias estrategicamente distribuídas pelo concelho, assegurando cobertura territorial e resposta às necessidades da população, com especial atenção aos doentes crónicos, pessoas idosas, residentes em estruturas residenciais e utentes com apoio domiciliário.
O projeto contempla ainda a criação de um grupo técnico de acompanhamento e a realização de exercícios conjuntos com a Proteção Civil, bombeiros e restantes entidades parceiras, permitindo testar os procedimentos definidos e identificar oportunidades de melhoria.
A fase piloto terá a duração de seis meses, após os quais se pretende consolidar uma rede municipal permanente de farmácias preparadas para responder em situações de emergência e catástrofe. A experiência será acompanhada pela OF e pelo Infarmed, com o objetivo de avaliar a possibilidade de alargar este modelo a outros municípios.




