Psiquiatras da ULS Amadora/Sintra publicam estudo na área dos psicofármacos

Psiquiatras da ULS Amadora/Sintra publicam estudo na área dos psicofármacos

José Monteiro de Castro e Miguel Palma, psiquiatras da ULS Amadora/Sintra, publicam artigo em revista científica internacional de referência na área de saúde mental que evidencia a importância do paciente na decisão terapêutica e na eficácia clínica dos medicamentos psiquiátricos.

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Dois médicos psiquiatras – José Monteiro de Castro e Miguel Palma – do Serviço de Psiquiatria do Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca, da ULS Amadora/Sintra, publicaram, no mês passado, um artigo científico numa das mais prestigiadas revistas internacionais na área da Psiquiatria, o The British Journal of Psychiatry

O artigo intitulado Attachment-informed psychopharmacology in psychiatric care, evidencia a importância dos padrões de vinculação dos doentes na decisão terapêutica e na prescrição de psicofármacos, defendendo que esta deva ser efetuada de acordo com uma abordagem mais individualizada. 

Segundo os investigadores, compreender como cada pessoa constrói relações interpessoais e interpreta as suas experiências pode contribuir para uma abordagem terapêutica mais personalizada, permitindo adequar a prescrição farmacológica às necessidades individuais dos doentes.

O artigo também evidencia que a eficácia dos medicamentos psiquiátricos em contextos clínicos resulta não apenas dos efeitos biológicos dos medicamentos, da sua eficácia farmacológica, mas também do significado que estes assumem para os pacientes e da relação terapêutica estabelecida com os profissionais de saúde.

Pode consultar este artigo com destaque internacional aqui.

É importante salientar que a adesão à terapêutica de psicofármacos é um dos maiores desafios em saúde mental. Muitas vezes, o paciente descontinua o tratamento devido às suas reações adversas iniciais, ou se os sintomas diminuem, ou se se encontra em negação da doença ou porque os esquemas terapêuticos são complexos e dificultam a toma da medicação. Apesar da eficácia clínica estar estabelecida, o sucesso do tratamento depende da adesão do paciente aos horários e doses recomendadas, além de um acompanhamento multidisciplinar.

Contrariamente a medicamentos de ação rápida como os analgésicos, os psicofármacos (especialmente os medicamentos antidepressivos) demoram duas a quatro semanas a atingir o efeito terapêutico total, o que requer paciência do paciente, devendo este ser informado de modo a garantir a continuação da terapêutica que lhe foi prescrita. 

O farmacêutico desempenha um papel fundamental no aumento da adesão à terapêutica e, consequentemente, na sua eficácia clínica.

Com vista a aumentar a eficácia da terapêutica, o farmacêutico deve ter em atenção o tempo que o fármaco vai demorar a fazer efeito, alertar para os efeitos adversos e geri-los da melhor forma, criar uma rede de apoio com familiares para ajudarem na manutenção da rotina de horários, e utilizar instituições de suporte, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), para acompanhamento holístico.