Qualidade de vida ganha peso no cancro colorretal avançado
Durante março, Mês de Sensibilização para o Cancro Colorretal, Projeto Entre Nós e o Cancro, da Takeda, destaca importância da decisão partilhada e controlo de sintomas.

A qualidade de vida assume um papel cada vez mais central nas decisões terapêuticas quando o cancro colorretal é diagnosticado em fase avançada. Nestes casos, controlar sintomas, preservar a autonomia e garantir conforto ao doente tornam-se objetivos prioritários, a par da tentativa de prolongar a sobrevivência.
O tema está em destaque no projeto Entre Nós e o Cancro, uma iniciativa em vídeo promovida pela Takeda no âmbito do Mês de Sensibilização para o Cancro Colorretal, que reúne especialistas para discutir diferentes dimensões da doença e do seu tratamento.
Em Portugal registam-se mais de 10 500 novos casos de cancro colorretal por ano, segundo dados do Globocan, sendo esta uma das neoplasias mais frequentes. De acordo com Catarina Abreu, oncologista no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, “em cerca de 15 a 20% dos casos o diagnóstico ocorre já numa fase metastática”. Nestas situações, a possibilidade de cura é, na maioria dos casos, limitada, tornando essencial encontrar um equilíbrio entre prolongar a vida e garantir qualidade de vida.
“A ausência de cura não significa ausência de tratamento nem de esperança. A medicina dispõe atualmente de terapêuticas capazes de controlar a progressão da doença, reduzir sintomas e, em muitos casos, prolongar a sobrevivência com qualidade, permitindo que algumas pessoas vivam durante anos com a doença controlada”.
Catarina Abreu, médica oncologista no Hospital de Santa Maria
Avaliar a qualidade de vida em oncologia continua, contudo, a ser um desafio. Apesar da existência de escalas e instrumentos validados, estes nem sempre conseguem captar a totalidade da experiência individual dos doentes. Na prática clínica, a perceção do próprio doente acaba por ter um peso determinante.
A autonomia nas atividades diárias, o controlo da dor, o equilíbrio emocional e a manutenção das relações pessoais são alguns dos indicadores que ajudam a avaliar o impacto da doença e dos tratamentos. “Nas fases mais avançadas, sobretudo quando os ganhos em sobrevivência são mais modestos, assegurar que o tempo vivido é acompanhado de qualidade torna-se um objetivo prioritário”, refere Catarina Abreu.
As prioridades dos doentes tendem também a evoluir ao longo do percurso da doença. Se numa fase inicial o foco está sobretudo na sobrevivência e no controlo tumoral, com o tempo muitos doentes passam a valorizar mais a ausência de sofrimento, o controlo dos sintomas e a preservação da autonomia.
Neste contexto, a decisão partilhada entre médico e doente ganha cada vez maior relevância. Para Catarina Abreu, a comunicação é fundamental para compreender as preferências, expectativas e valores de cada pessoa. Ainda assim, fatores como a falta de tempo nas consultas ou barreiras culturais podem dificultar este processo.
Já para Nuno Tavares, médico oncologista no Hospital de São João, no Porto, “é igualmente essencial investir em literacia em saúde, de forma a permitir que os doentes participem de forma mais informada nas decisões terapêuticas”. Estas questões, seja qualidade de vida, decisão partilhada e abordagem centrada na pessoa, estão no centro dos primeiros vídeos do projeto Entre Nós e o Cancro, que podem ser vistos aqui, e pretendem promover uma conversa mais aberta sobre a doença e aproximar profissionais de saúde e doentes através de conteúdos acessíveis tanto para especialistas como para o público.




