UA desenvolve substitutos ósseos personalizados com impressão 3D

UA desenvolve substitutos ósseos personalizados com impressão 3D

A Universidade de Aveiro está a desenvolver substitutos ósseos personalizados com recurso à impressão 3D, num projeto que abre novas perspetivas na área da medicina regenerativa e da engenharia de tecidos.

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A investigação aposta numa tecnologia de impressão 3D designada por fotopolimerização em cuba, que utiliza uma resina líquida solidificada camada a camada através da ação da luz. Esta técnica permite criar estruturas sólidas adaptadas às características específicas de cada paciente, aproximando-se da forma exata da prótese óssea necessária em cada situação clínica.

O projeto é liderado por João Simão Santos, estudante de doutoramento no CICECO – Instituto de Materiais de Aveiro da Universidade de Aveiro (UA), e conta com a colaboração de Manuel Alves, também doutorando, e das professoras Susana Olhero e Georgina Miranda, do Departamento de Engenharia de Materiais e Cerâmica.

A equipa de investigação composta por Manuel Alves, Susana Olhero, Georgina Miranda e João Simão Santos
Foto: Universidade de Aveiro

Um dos elementos centrais da investigação é a utilização de hidroxiapatite, um material cerâmico biocompatível e bioativo, semelhante ao mineral presente no osso humano. Este material é incorporado numa resina de base aquosa, permitindo a produção de estruturas complexas e ajustadas às necessidades individuais.

“Na área dos substitutos ósseos existe uma procura crescente por soluções personalizadas, e esta tecnologia permite responder a esse desafio.”
João Simão Santos, estudante de doutoramento no CICECO – Instituto de Materiais de Aveiro da Universidade de Aveiro

Além da personalização, o projeto apresenta vantagens ambientais relevantes. A utilização de uma base aquosa reduz em cerca de 80% o recurso a compostos orgânicos, tornando o processo mais sustentável e com menor impacto ambiental.

Também na fase de sinterização – etapa fundamental para conferir resistência ao substituto cerâmico – foram alcançados ganhos significativos. Com a nova formulação, o tempo necessário para este processo é reduzido em cerca de 60%, com benefícios ao nível da eficiência energética. Os próximos passos passam pela avaliação do comportamento biológico do material e pela realização de testes mais avançados, antes de uma eventual aplicação clínica. Entre os principais desafios estão o cumprimento das normas regulamentares e a demonstração da segurança e eficácia destas soluções inovadoras.