Vitamina D: a hormona do sol

Vitamina D: a hormona do sol

Além de ser um nutriente essencial, a vitamina D é também uma hormona que desempenha papéis muito importantes no nosso organismo, nomeadamente a nível ósseo, sistema imunitário, muscular e cerebral. Tendo em conta essa realidade, estão a ser desenvolvidos ensaios clínicos onde esta vitamina se revela muito promissora no combate ao cancro.

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A vitamina D é uma hormona esteroide, sintetizada na pele através da exposição aos raios solares (UVB) e desempenha um papel fundamental na absorção de cálcio e fósforo, na saúde óssea e no sistema imunitário. Quando chega ao nosso organismo encontra-se inativa, sendo ativada pelo fígado em  25-hidroxivitamina D (principal forma detetada nos exames ao sangue) e depois transformada nos rins em calcitriol (vitamina D biologicamente ativa) para poder desempenhar as suas funções.

A população portuguesa, apresenta uma das maiores taxas de deficiência de vitamina D da Europa, pois apesar de estar exposta ao sol habitualmente, a alimentação contribui com apenas cerca de 10% a 20% das necessidades diárias de vitamina D, e o uso de protetor solar (muito importante para prevenir o cancro cutâneo) e a permanência em locais fechados diminuem a sua absorção natural pelo organismo. Além destes fatores, um estudo realizado durante a pandemia revelou uma predisposição genética da população portuguesa para a carência desta vitamina na maioria da população. 

Esta vitamina pode apresentar-se em duas formas: vitamina D₃ (Colecalciferol) e vitamina D₂ (Ergocalciferol). É particularmente importante a nível ósseo (promovendo a absorção de cálcio no intestino, sendo fundamental para a prevenção de raquitismo, osteoporose e osteomalácia), no sistema imunitário (ajuda o nosso corpo a combater infeções e processos inflamatórios), desempenha um papel benéfico a nível muscular, atuando também a nível cerebral, na regulação de neurotransmissores, como a serotonina, responsável pelo nosso bem-estar. 

Obtém-se principalmente através da síntese cutânea com a exposição solar (contribuindo cerca de 80 a 90%), também através da alimentação (peixes como o salmão, o atum e a sardinha, óleo de fígado de bacalhau, ovos, cogumelos e em alimentos fortificados como lacticínios, queijos, cereais e pão) e em determinadas situações é necessária a suplementação de vitamina D após avaliação médica. 

O diagnóstico para a deficiência de vitamina D deve ser feito em pessoas com mais de 65 anos que estão internadas ou em lares, com exposição solar limitada; pessoas com fatores de risco para a deficiência, como pouca exposição solar, má absorção intestinal ou insuficiência renal crónica; em pessoas que tenham alterações do metabolismo do cálcio ou de vitamina D, ou historial prévio de deficiência de vitamina D; quando os resultados de análises e exames revelem deficiências da vitamina D. Há ainda que ter particular atenção com certos produtos farmacêuticos, como laxantes e comprimidos para emagrecer, e também medicamentos para o colesterol, que podem baixar os níveis de vitamina D. As cirurgias de emagrecimento (com redução do estômago ou bypass para os intestinos) também contribuem para o risco de menor produção de vitamina D. 

A vitamina D ajuda no controlo da diabetes e obesidade. É recomendada também no tratamento da psoríase. A sua deficiência está associada a um risco maior de hipertensão. Pensa-se que haja uma ligação da carência em vitamina D com a vulnerabilidade da infeção por coronavírus e a severidade da doença, mas os estudos revelaram-se inconclusivos. Os oncologistas e investigadores na área oncológica revelaram que baixos níveis de vitamina D estão correlacionados com um risco acrescido de cancro e pior prognóstico bem como a resposta à quimioterapia. Ensaios clínicos recentes, apoiam que a suplementação com vitamina D se revela promissora no combate ao cancro e mantendo níveis adequados desta vitamina consegue-se uma melhoria do prognóstico de pacientes diagnosticados principalmente com cancro colorretal, da mama e da próstata. 

Há que ter atenção que o excesso de vitamina D é tóxico e pode causar arritmia e insuficiência renal, pelo que não deve ser utilizada sem recomendação e supervisão médica e após confirmação que o paciente tem níveis baixos de vitamina D com análises ao sangue. 

Se tem dúvidas se necessita de suplementação com vitamina D fale com o seu profissional de saúde.