Fundação Bial promove reflexão sobre experiências de fim de vida
No âmbito da edição de 2026 do simpósio Aquém e Além do Cérebro, a Fundação Bial reúne alguns dos mais reconhecidos investigadores internacionais das áreas das neurociências, psicologia e filosofia para debater as chamadas “experiências de fim de vida”. O encontro decorre entre 8 e 11 de abril, na Casa do Médico, no Porto, e as inscrições já se encontram abertas.

Nesta 15.ª edição, o simpósio tem formato exclusivamente presencial e propõe uma reflexão aprofundada sobre um dos temas mais universais e complexos da condição humana: o processo de morrer e as experiências associadas aos momentos finais da vida. O objetivo passa por fomentar o diálogo interdisciplinar entre abordagens científicas, filosóficas e culturais, explorando o que se sabe atualmente sobre os processos biológicos do fim de vida, as diferentes interpretações culturais da morte e o impacto destas experiências na compreensão da realidade.
“Um dos aspetos centrais dos debates será a tensão entre as abordagens estritamente científicas da morte e perspetivas mais espirituais, que frequentemente admitem a possibilidade de uma existência continuada após a morte.”
Axel Cleeremans, psicólogo e presidente da comissão organizadora do simpósio
Quatro dias de ciência, debate e diálogo interdisciplinar
O programa científico estende-se ao longo de quatro dias e tem início na tarde de 8 de abril, com uma palestra de abertura proferida pelo neurocientista Christof Koch, investigador de referência na área da consciência. A partir daí, sucedem-se sessões temáticas dedicadas a diferentes dimensões das experiências de fim de vida.
Na manhã de 9 de abril, a sessãoProcessos de fim de vida irá debruçar-se sobre os mecanismos biológicos e evolutivos associados ao morrer, incluindo temas como a biologia do processo de morte, a origem das experiências de quase morte e o fenómeno da lucidez terminal. O dia seguinte será inteiramente dedicado às experiências de quase morte, com contributos que vão desde relatos anómalos vividos por sobreviventes até análises neurocientíficas e reflexões sobre os últimos momentos de vida.
A 11 de abril, o foco desloca-se para as crenças e impactos associados ao fim de vida, com abordagens etnográficas e antropológicas que analisam a forma como diferentes culturas interpretam a morte e como estas experiências podem contribuir para um morrer mais significativo. O programa inclui ainda reflexões sobre a necessidade de apoio às pessoas que vivenciam experiências de quase morte e interpretações psicológicas e xamânicas associadas a contextos rituais.
Além das sessões plenárias, o simpósio integra apresentações orais de investigadores apoiados pela Fundação Bial e um conjunto de workshops participativos, dedicados a temas como a preparação para a morte no budismo, a sabedoria das experiências de quase morte, os desafios dos cuidados no fim de vida e os valores humanos associados ao morrer em diferentes contextos culturais. O encontro encerra com uma mesa-redonda final, que reunirá vários dos oradores convidados num momento de síntese e diálogo com o público, reforçando a missão do simpósio enquanto espaço de reflexão crítica e interdisciplinar sobre os limites da vida, da consciência e do conhecimento científico.
Saiba tudo sobre as inscrições aqui.


