Investigação nacional desenvolve ferramenta IA para apoiar diagnóstico do melanoma
Equipa de investigação liderada por Sérgio Faria, professor da Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Politécnico de Leiria, está a desenvolver uma ferramenta inovadora com base em inteligência artificial para apoiar os dermatologistas no diagnóstico de lesões cutâneas cancerígenas, com especial foco no melanoma.

O projeto, denominado PlenoISLA, teve início em 2018 e envolve investigadores do Instituto de Telecomunicações e médicos de várias unidades hospitalares. O objetivo passa por criar uma solução que auxilie os profissionais de saúde na identificação de lesões malignas de forma mais rápida e menos invasiva.
A tecnologia baseia-se na captação de imagens da pele com recurso a câmaras especializadas, capazes de recolher informação tridimensional e dados hiperespectrais, tanto no espectro visível como no infravermelho. Estas imagens são posteriormente analisadas por algoritmos de inteligência artificial, permitindo classificar uma lesão como melanoma ou não melanoma em poucos segundos.
“Atualmente, quando existe suspeita de uma lesão cutânea maligna, é muitas vezes necessário retirar uma amostra de pele para análise laboratorial”, explica o coordenador do projeto, sublinhando que a nova ferramenta pretende reduzir a necessidade destes procedimentos invasivos.
Até ao momento, a equipa está a trabalhar com cerca de 350 imagens de lesões dermatológicas recolhidas no Hospital de Santo André, que estão a ser utilizadas para treinar os algoritmos. Segundo Sérgio Faria, este conjunto constitui o primeiro dataset mundial com este tipo de imagens.
O próximo passo passa por aumentar significativamente o volume de dados. Para isso, foram já submetidos pedidos de colaboração ao Hospital de São José e à Fundação Champalimaud, com o objetivo de recolher mais imagens e acelerar o desenvolvimento da tecnologia.
“Para o treino de algoritmos de inteligência artificial é necessário um número muito elevado de imagens”, destaca o investigador, acrescentando que o reforço da base de dados será essencial para melhorar a precisão do sistema.
A expectativa é que a ferramenta de apoio ao diagnóstico dermatológico esteja concluída até 2028, podendo vir a representar um avanço significativo na deteção precoce do cancro da pele e na prática clínica em dermatologia.




