Farmácias lisboetas reforçam rastreio de VIH e hepatites para reduzir diagnóstico tardio
Ação da Plataforma Saúde em Diálogo, em conjunto com o Programa FOCUS, financiado pela Gilead Sciences, e em parceria com a Associação Nacional das Farmácias (ANF), implementa iniciativa de rastreio de VIH, hepatite B e hepatite C em mais de 50 farmácias comunitárias de Lisboa. Objetivo é reduzir o diagnóstico tardio destas infeções.

A Campanha, denominada Saiba de si decorre em farmácias aderentes nos municípios de Amadora, Sintra, Odivelas e Loures e destina-se a adultos com mais de 18 anos. A iniciativa, que se estende até 2027, baseia-se na realização de testes rápidos, gratuitos e confidenciais, acompanhados de aconselhamento pré e pós-teste, com referenciação estruturada para os cuidados de saúde em caso de resultado reativo.
Um dos elementos diferenciadores do programa é a articulação com associações de base comunitária, coordenada pela Plataforma Saúde em Diálogo. Mediante consentimento do participante, e perante um resultado reativo, a farmácia pode ativar um patient navigator, que acompanha o utente no seu percurso no Serviço Nacional de Saúde, facilitando a integração no circuito hospitalar para confirmação diagnóstica e início atempado de cuidados.
“Este projeto reflete o compromisso contínuo com a eliminação das infeções por VIH e hepatites virais como ameaças à saúde pública, sendo essencial expandir modelos de rastreio de proximidade que permitam alcançar populações que, de outra forma, poderiam permanecer sem diagnóstico”.
José Luis González, diretor internacional do Programa FOCUS da Gilead Sciences em Portugal e Espanha
Jaime Melancia, presidente da Plataforma Saúde em Diálogo, destaca o papel das farmácias como ponto de acesso privilegiado: “pela relação de confiança que mantêm com as comunidades, são um ponto-chave para chegar a pessoas que de outro modo poderiam não realizar estes rastreios”, sublinhando ainda a importância do acompanhamento garantido pelas associações comunitárias.
Por sua vez, Ema Paulino, presidente da ANF, reforça que “as farmácias estão numa posição privilegiada para contribuir ativamente para a saúde pública”, acrescentando que este contexto ajuda a ultrapassar barreiras associadas ao estigma, promovendo um ambiente seguro e de confiança.
Apesar dos avanços, o VIH continua a ser um desafio relevante em Portugal. Entre 1983 e 2024, foram diagnosticados mais de 66 mil casos de infeção, cerca de 24 mil dos quais evoluíram para SIDA. Embora os novos diagnósticos tenham diminuído na última década, o país mantém valores acima da média europeia, com particular incidência de diagnóstico tardio.
A nível internacional, o Programa FOCUS já permitiu a realização de mais de 24,7 milhões de testes desde 2010, contribuindo para o reforço de estratégias de saúde pública e para a integração de abordagens comunitárias na resposta ao VIH e às hepatites virais.





