Novo tratamento injetável reduz ou elimina tumores em doentes com cancro avançado
Estudo internacional mostra resultados promissores de um medicamento injetável em doentes com cancro da cabeça e pescoço resistente aos tratamentos convencionais.

Um tratamento inovador administrado por injeção poderá representar uma nova esperança para doentes com cancro da cabeça e pescoço em fase avançada que deixaram de responder às terapias disponíveis. Os resultados de um ensaio clínico internacional mostram que o medicamento amivantamab conseguiu reduzir significativamente os tumores em cerca de 42% dos participantes e eliminá-los completamente em alguns casos.
O estudo envolveu 102 doentes com carcinoma espinocelular da cabeça e pescoço recorrente ou metastático, cuja doença continuava a progredir apesar de tratamentos prévios com quimioterapia baseada em platina e imunoterapia. Entre os participantes, 43 registaram uma redução relevante da dimensão dos tumores e, em 15 casos, os investigadores não encontraram sinais detetáveis da doença após o tratamento.
Os resultados, revelados pelo jornal britânico The Guardian, foram apresentados na reunião anual da American Society of Clinical Oncology (ASCO), considerada a maior conferência mundial dedicada à oncologia.
O amivantamab é um anticorpo monoclonal já utilizado em determinados tipos de cancro do pulmão. No caso deste ensaio, os investigadores avaliaram o seu potencial em tumores da cabeça e pescoço particularmente difíceis de tratar. O medicamento atua através de três mecanismos complementares: bloqueia proteínas associadas ao crescimento tumoral, combate mecanismos de resistência desenvolvidos pelas células cancerígenas e ajuda o sistema imunitário a identificar e destruir o tumor.
Segundo os investigadores, a resposta observada é especialmente relevante por envolver uma população de doentes com opções terapêuticas muito limitadas. Os resultados mostraram ainda uma sobrevivência média de 12,5 meses, superior à habitualmente observada neste grupo de doentes.
Outra das vantagens apontadas ao tratamento é a sua administração por via subcutânea. A injeção é realizada em poucos minutos e apresenta uma maior comodidade para os doentes e para os serviços de saúde quando comparada com terapêuticas intravenosas mais prolongadas. Os efeitos adversos observados foram maioritariamente ligeiros a moderados, tendo menos de 10% dos participantes interrompido o tratamento devido a reações indesejáveis.
Apesar do entusiasmo gerado pelos resultados, os especialistas sublinham que serão necessários estudos de maior dimensão para confirmar a eficácia e segurança do medicamento antes da sua eventual integração na prática clínica para este tipo de tumores.
O cancro da cabeça e pescoço é uma das formas mais frequentes de cancro a nível mundial. Quando a doença recidiva ou metastiza e deixa de responder aos tratamentos convencionais, o prognóstico tende a ser reservado, tornando particularmente relevante o desenvolvimento de novas opções terapêuticas.




