SIM não adere à greve geral e defende estratégia própria para médicos

SIM não adere à greve geral e defende estratégia própria para médicos

Sindicato Independente dos Médicos não adere à greve geral marcada para hoje e defende uma estratégia centrada na carreira médica e no SNS.

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O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) anunciou que não vai aderir à greve geral convocada para hoje, considerando que a defesa dos interesses dos médicos exige uma estratégia autónoma e focada nas questões específicas da carreira médica e do funcionamento do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Em comunicado, a estrutura sindical justifica a decisão com “a necessidade de manter uma intervenção centrada em matérias diretamente relacionadas com a profissão médica”, nomeadamente a “valorização da carreira, as condições de trabalho, a contratação coletiva e o cumprimento dos acordos celebrados com o Governo”.

Segundo o SIM, a sua atuação tem privilegiado uma linha de negociação “responsável, exigente e consequente”, que permitiu alcançar avanços em áreas como a valorização salarial, a integração de médicos fora da carreira médica, a equiparação de direitos entre diferentes vínculos laborais, a valorização dos médicos internos e a regularização de matérias relacionadas com a avaliação de desempenho.

O sindicato considera ainda que a greve geral tem um âmbito demasiado abrangente para responder aos problemas específicos da profissão médica. “A luta dos médicos deve ser travada com objetivos claros, identificáveis e diretamente relacionados com as condições de exercício da profissão médica”, refere a organização.

Entre as reivindicações que continuam a exigir respostas próprias, o SIM destaca a valorização da carreira médica, a correção de injustiças remuneratórias, a aplicação efetiva dos acordos alcançados, o pagamento associado aos regimes de dedicação plena e às escalas de Saúde Pública, o reforço dos recursos humanos e a revisão das condições de trabalho nos serviços de urgência.

No comunicado, o sindicato manifesta também preocupação com o que considera ser uma possível diluição das reivindicações dos médicos em iniciativas de carácter mais transversal. “O SIM entende que a dispersão da luta médica em greves gerais pode diminuir a visibilidade e a eficácia das reivindicações específicas dos médicos”, sustenta.

A estrutura liderada por Jorge Roque da Cunha defende ainda que a adesão a uma greve deve ser avaliada em função da sua capacidade para produzir resultados concretos e reforçar a posição negocial da classe.

O sindicato sublinha igualmente a sua independência relativamente a outras estruturas representativas dos trabalhadores, afirmando que define a sua ação em função dos interesses dos médicos que representa.

Apesar da decisão de não aderir à paralisação, o SIM garante que mantém uma posição ativa na defesa dos direitos laborais dos médicos. “A não adesão a esta greve geral não significa passividade nem concordância com todas as propostas em discussão”, refere o sindicato, acrescentando que continuará a acompanhar o cumprimento dos acordos já alcançados e a preparar formas de luta próprias sempre que estejam em causa matérias específicas da carreira médica e do funcionamento do SNS.