Novo GLP-1 oral da AstraZeneca em ensaios clínicos

Novo GLP-1 oral da AstraZeneca em ensaios clínicos 

O novo medicamento agonista do recetor de GLP-1 de administração oral da AstraZeneca, designado por elecoglipron, encontra-se em ensaios clínicos de fase 2, tendo sido desenvolvido para o tratamento da diabetes tipo 2 e obesidade. Permitirá uma maior adesão à terapêutica e virá beneficiar os pacientes, uma vez que a administração oral traz vantagens em relação às formulações injetáveis, além dos pacientes não terem restrições alimentares ou de jejum, como acontece com as outras terapêuticas disponíveis.

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Os medicamentos GLP-1 (agonistas do recetor  de GLP-1, Peptídeo Semelhante ao Glucagon Tipo 1), são fármacos que mimetizam uma hormona natural produzida no intestino que regula o apetite e a digestão. Atuam aumentando a saciedade, retardando o esvaziamento gástrico e ajudam a controlar o açúcar no sangue, sendo indicados para o tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade. 

O novo agonista do recetor de GLP-1 de administração oral da AstraZeneca, designado por elecoglipron, encontra-se em ensaios clínicos de fase 2, e é uma pequena molécula de toma única diária, tendo sido desenvolvido para o tratamento da diabetes tipo 2 e obesidade, sem quaisquer restrições alimentares ou de jejum. 

Os resultados dos ensaios clínicos de fase 2 (VISTA e SOLSTICE) apresentados na Associação Americana da Diabetes (ADA) e publicados na revista científica The Lancet em junho, revelaram-se impactantes na perda de peso e redução da glicémia. 

O estudo VISTA direcionado à obesidade revelou, com a dose mais elevada (75mg), uma perda de peso média de 10,5% às 26 semanas e 11,2% às 36 semanas. 

Quanto à diabetes do tipo 2, no estudo SOLSTICE, os pacientes obtiveram um decréscimo de até 1.74% nos níveis de açúcar no sangue A1C após 26 semanas e, aproximadamente 90% dos pacientes atingiu o nível padrão de A1C de 7%.

No estudo SOLSTICE, foram avaliadas a eficácia, segurança e tolerabilidade do elecoglipron contra o placebo em pacientes com diabetes do tipo 2. 

O perfil de segurança do elecoglipron equipara-se ao dos outros medicamentos GLP-1. Quanto aos efeitos adversos, os mais predominantes são os gastrointestinais, tendo sido reportados com a dose mais alta, náusea, diarreia, obstipação e vómitos.

O Elecoglipron está a avançar para ensaios clínicos de fase 3, que incluem ensaios de monoterapia (o programa EMBOLD), ensaios de associação com o inibidor SGLT2, Farxiga, da AstraZeneca ), bem como estudos a nível cardiovascular e renal, de modo a confirmar a segurança, eficácia e benefícios a longo prazo. 

As terapêuticas com GLP-1 atuais são maioritariamente na forma de injetável, sendo que as opções orais como o semaglutido, comercializado em Portugal como Ozempic e Rybelsus (para a diabetes tipo 2) requerem protocolos estritos de jejum. Adicionalmente, o Rybelsus, apesar de ser uma formulação oral e de reduzir o apetite, não se encontra oficialmente aprovado nem é comparticipado para o tratamento da obesidade em Portugal, sendo apenas prescrito para o controlo da glicémia em diabéticos. 

O Wegovy injetável, com o princípio ativo semaglutido, administrado uma vez por semana por via subcutânea é a medicação aprovada em Portugal para obesidade e gestão crónica de peso. Quanto ao Wegovy oral, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) recomendou a sua aprovação, como sendo o primeiro tratamento oral GLP-1 para obesidade. No entanto, a aprovação final da Comissão Europeia e o processo de comercialização continuam a decorrer em Portugal, dependendo de futuras aprovações de preços e comparticipação pelo Infarmed.

Uma vez que há uma escassez global de medicamentos GLP-1 e também preocupações com o seu uso incorreto, as autoridades portuguesas restringiram a prescrição de injeções (como Wegovy, Ozempic e Mounjaro) a apenas quatro especialidades médicas: Endocrinologia, Medicina Interna, Medicina Geral e Familiar, e Pediatria (para adolescentes). Recorde-se que estes medicamentos são sempre sujeitos a receita médica. 

O  Elecoglipron, sendo um comprimido de toma única diária, sem restrições alimentares ou de jejum, traz inúmeros benefícios e a toma é muito mais fácil e conveniente, o que aumenta a adesão à terapêutica, especialmente em certas áreas geográficas e em áreas rurais em que o acesso aos cuidados de saúde é limitado.

Pode consultar este estudo referente ao Elecoglipron aqui.