Arte e ciência unem-se em Lisboa para alertar para a ameaça da resistência aos antimicrobianos

Arte e ciência unem-se em Lisboa para alertar para a ameaça da resistência aos antimicrobianos

Exposição internacional sobre resistência aos antimicrobianos chega a Lisboa e reúne 30 artistas de 30 países e estará patente na estação Alameda do Metro de Lisboa até 6 de julho. Objetivo é sensibilizar a população para uma das maiores ameaças à saúde global.

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A resistência aos antimicrobianos, considerada uma das maiores ameaças à saúde pública global, vai estar em destaque numa exposição internacional que alia arte e ciência para sensibilizar a população para um problema que, só na União Europeia, está associado a mais de 33 mil mortes por ano.

A mostra Redesenhar as resistências aos antimicrobianos. Trinta histórias. Uma Só Saúde estará patente até 6 de julho, no átrio da estação Alameda do Metropolitano de Lisboa. A iniciativa é promovida pelo INFARMED, em parceria com a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), contando com a participação do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), através do Laboratório Nacional de Referência das Resistências aos Antimicrobianos (LNR-RA).

A exposição integra a campanha internacional SketchingAMR, lançada em novembro de 2025, que utiliza a ilustração como ferramenta de comunicação para tornar mais acessível ao público um tema complexo e de enorme relevância para a saúde global. Depois de uma campanha digital e da publicação de um álbum ilustrado, os trabalhos deram origem a uma mostra itinerante que já passou por cidades como Viena, Madrid, Roma, Varsóvia, Bruxelas e Lyon.

Sob o conceito One Health, a exposição destaca a interligação entre a saúde humana, animal e ambiental, reunindo obras de 30 ilustradores de 30 países. Entre os participantes encontra-se o ilustrador português Hugo van der Ding, conhecido pelo seu trabalho de divulgação cultural e científica.

Através da linguagem visual, a iniciativa procura alertar para questões como o uso responsável dos antibióticos, os riscos da automedicação e a necessidade de preservar a eficácia destes medicamentos para as gerações futuras. O objetivo é aproximar a ciência da sociedade e estimular uma maior consciencialização para um fenómeno que compromete cada vez mais a capacidade de tratar infeções comuns.

A resistência aos antimicrobianos ocorre quando bactérias, vírus, fungos ou parasitas desenvolvem mecanismos que lhes permitem resistir aos medicamentos utilizados para os combater. Segundo a Organização Mundial da Saúde, este fenómeno ameaça décadas de progresso na medicina moderna, colocando em risco tratamentos cirúrgicos, terapias oncológicas e cuidados intensivos.

Com esta iniciativa, os promotores pretendem demonstrar que a luta contra a resistência aos antimicrobianos não depende apenas dos profissionais de saúde ou dos decisores políticos, mas exige também uma maior literacia e envolvimento da sociedade.