A aproximação entre ciência e sociedade, o combate à desinformação e a promoção da literacia científica estão entre as prioridades de Catarina Schreck Reis para o Museu da Ciência da Universidade de Coimbra. Em entrevista à Salus, a nova diretora da instituição defende “uma maior ligação entre o museu, os profissionais das ciências e o público”, através de “novos programas, exposições e iniciativas que valorizem o conhecimento científico e a comunicação em saúde”.

Que visão traz para o Museu da Ciência da Universidade de Coimbra enquanto novo espaço de ligação entre ciência e sociedade?
O Museu da Ciência da Universidade de Coimbra (MCUC) é um espaço único que reúne várias coleções científicas que atraem públicos muito distintos. A função para a qual foram criados o Gabinete de História Natural e o Gabinete de Física Experimental em 1772, no âmbito da Reforma Pombalina, foi o apoio ao ensino universitário visando a sua modernização. Atualmente a situação é bem distinta e quem mais procura o Museu da Ciência são claramente os turistas.
Um dos desafios para o próximo ano é promover a reaproximação ao Museu da Ciência dos estudantes, professores e investigadores, para que o visitem mais vezes e façam do seu extraordinário espólio o seu objeto de estudo. Paralelamente é igualmente importante a criação de um novo programa diversificado de atividades que contribuam para a reaproximação do público adulto e infantil ao Museu da Ciência.
De que forma o MCUC pode contribuir para a promoção da literacia científica?
Os espaços museológicos são por natureza espaços privilegiados de promoção da literacia científica. No caso particular do MCUC, esse contributo é ainda mais abrangente, tendo em conta a enorme diversidade das suas coleções científicas em áreas tão distintas como a história natural, a física, a química, a geologia e a mineralogia ou a antropologia.
A disponibilização de diversos espaços expositivos, a criação de programas educativos ou a realização de eventos temáticos em muito contribuem para o desenvolvimento de novos conhecimentos e competências, bem como para a valorização da ciência.
Considera que espaços museológicos podem ter um papel ativo no combate à desinformação a nível da Ciência?
Em todo o mundo, os museus são reconhecidos como instituições de grande confiança, onde o conhecimento partilhado é seguro, com informações credíveis.Isso faz dos museus espaços de enorme importância e com um papel fundamental no combate à desinformação. A visita a exposições museológicas que evidenciam a história da ciência, ou onde são explicados conceitos e fenómenos científicos, contribui de forma direta para ajudar o público a reconhecer e a distinguir informação verídica e credível, promovendo assim a sua cultura científica.
“Os espaços museológicos são por natureza espaços privilegiados de promoção da literacia científica. No caso particular do MCUC, esse contributo é ainda mais abrangente, tendo em conta a enorme diversidade das suas coleções científicas em áreas tão distintas como a história natural, a física, a química, a geologia e a mineralogia ou a antropologia.”
Que tipo de iniciativas ou exposições pretende desenvolver que possam interessar diretamente a profissionais na área das Ciências?
As exposições que neste momento podem ser visitadas no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra são de um enorme interesse, não só para todos os profissionais na área das Ciências, como também para outros públicos, como por exemplo os grupos escolares. No entanto, estas são muitas vezes desconhecidas, sendo atualmente os turistas os que mais visitam as exposições do museu. É por isso prioritário promover a divulgação do que existe e que pode ser visitado no Museu da Ciência, contribuindo desta forma para a diversificação de públicos.
O Laboratório Chimico, concluído em 1777, foi uma das primeiras edificações do mundo para o ensino e investigação da química, essenciais na formação de médicos, farmacêuticos e estudantes da então Faculdade de Filosofia. Neste espaço é ainda hoje possível ver objetos raros como uma coleção de fornos cerâmicos produzidos no próprio laboratório, ou um conjunto de potes botânicos em faiança da fábrica de Domingos Vandelli, o seu primeiro diretor.
O Gabinete de Física reúne uma das coleções mais raras e notáveis, sendo conhecido como Sítio Histórico pela Sociedade Europeia de Física. Nas suas duas salas encontram-se objetos que são não só verdadeiras obras de arte, como representam a evolução da física experimental dos séculos XVIII e XIX. Foi no Gabinete de Física que o Professor Henrique Teixeira Bastos realizou a primeira radiografia em Portugal, em 1896, e onde ainda hoje é possível encontrar a ampola de raios-X.
Por outro lado, inaugurada em 2022, a exposição “Gabinete de Curiosidades – uma interpretação” é um espaço único, que reúne cerca de quatro mil espécimes e artefactos do acervo do Museu da Ciência e é um verdadeiro “Teatro do mundo”. A inexistência de legendas explicativas é intencional, uma vez que este espaço pretende representar o período pré-museologia, convidando os visitantes à contemplação e admiração, através de um jogo de luzes e som.
Já a recém renovada Galeria de Minerais José Bonifácio d´Andrada e Silva mantém o acervo e a organização original desta importante coleção sistemática de minerais, com uma leitura mais contemporânea apresentada através de um código de luzes que apresenta ao público as 10 classes químicas propostas por Strunz e Dana. Não faltam por isso razões para visitar o Museu da Ciência da Universidade de Coimbra.
Que desafios concretos enfrentam as empresas ao tentar refletir estes aumentos de custos no contexto dos concursos públicos hospitalares?
Muitos dos preços base dos cadernos de encargos são demasiado baixos para a conjuntura atual; Regra geral os cadernos de encargos dos concursos não contemplam a revisão automática dos preços indexada à inflação; Os concursos deveriam dispor de mecanismos de reposição do equilíbrio financeiro para os casos em que a situação que gerou o desequilíbrio não é da responsabilidade nem é imputável ao fornecedor como é o caso da situação que se vive atualmente.
“São várias as formas como as instituições de saúde e o MCUC podem colaborar, seja através da organização de programas de divulgação de ciência para diferentes públicos, da criação conjunta de exposições itinerantes ou, por exemplo, da realização de estágios para estudantes e residências para investigadores no contexto do museu.”
A investigação científica é central na evolução dos cuidados de saúde. Como pode o MCUC aproximar investigadores, clínicos e público?
O MCUC tem todo o interesse no desenvolvimento de programas que promovam a aproximação de investigadores e clínicos do público. Tendo em conta a natureza e historicidade das suas coleções, as suas exposições são o espaço ideal para a realização de conversas informais de ciência, onde, num ambiente convidativo, cientistas de diferentes áreas e clínicos de diferentes especialidades podem partilhar e dialogar com o público novos conhecimentos sobre a evolução dos cuidados de saúde.
Que oportunidades existem para colaborações entre o MCUC e instituições de saúde, como hospitais, centros de investigação biomédica ou outros?
São várias as formas como as instituições de saúde e o MCUC podem colaborar, seja através da organização de programas de divulgação de ciência para diferentes públicos, da criação conjunta de exposições itinerantes ou, por exemplo, da realização de estágios para estudantes e residências para investigadores no contexto do museu.
Tendo também em conta a sua experiência na comunicação científica, como avalia o papel dessa área na adesão a políticas de saúde pública, como, por exemplo, a vacinação ou a prevenção da doença?
As funções de um espaço único como é o MCUC vão desde a preservação e o estudo das suas peças, a produção e a transmissão de conhecimento a partir das suas coleções e a educação e a motivação dos seus visitantes para a área científica. Considerando o seu vasto acervo, o MCUC poderá contribuir através da partilha da história de instrumentos científicos, destacando o seu impacto no desenvolvimento de novos tratamentos e na prevenção de doenças. Enquanto espaço de comunicação e divulgação de ciência, o museu pode também acolher exposições temporárias de diversas temáticas, tal como aconteceu na celebração dos 52 anos do Plano Nacional de Vacinação em Portugal que se iniciou com a vacina contra a poliomielite. sobre os fornecedores de dispositivos médicos.
Que mensagem gostaria de deixar aos profissionais na área das Ciências sobre a importância de espaços como o MCUC na construção de uma sociedade mais informada?
Aos profissionais na área das Ciências convido, em primeiro lugar, a visitar ou a revisitar o MCUC, conhecendo o seu vasto espólio, testemunhando a sua importância e o seu contributo para a promoção da cultura e da literacia científica. Deixo também o incentivo para que, em conjunto, possam vir a ser desenvolvidos eventos ou programas que contribuam para uma cidadania mais informada e participativa.




