Investigação da FMUP reforça qualidade da reanimação cardiorrespiratória

Investigação da FMUP reforça qualidade da reanimação cardiorrespiratória

Estudo liderado pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) e desenvolvido em Portugal, Alemanha e Finlândia, analisa impacto da postura, do posicionamento dos braços e da ergonomia do reanimador na eficácia das compressões torácicas e na fadiga muscular. Os resultados deram origem a três artigos científicos publicados na revista internacional Resuscitation Plus.

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Um estudo europeu multicêntrico, liderado pela FMUP, identificou um conjunto de recomendações que podem melhorar significativamente a qualidade da reanimação cardiorrespiratória (RCR) e os respetivos resultados clínicos, incluindo em contextos exigentes como as salas de emergência.

Uma das conclusões refere que “mesmo pequenas variações na postura e no posicionamento do reanimador têm um impacto real na qualidade da reanimação cardiorrespiratória”, sublinha Carla Sá Couto, professora da FMUP e coordenadora do projeto QualityCPR, pode ler-se no site da FMUP.

O estudo recorreu à simulação como método investigativo, envolvendo profissionais de saúde experientes – médicos, enfermeiros e paramédicos – que realizaram compressões torácicas ininterruptas durante três minutos. A qualidade das compressões foi avaliada através de simuladores, enquanto a fadiga muscular foi medida com sensores de eletromiografia.

Os resultados demonstraram que “a realização de compressões com os braços posicionados a 90 graus, com os ombros alinhados com os pulsos, assegura maior qualidade e menor fadiga muscular”. Em contraste, “posições a 105 graus, frequentemente observadas na prática clínica, estiveram associadas a uma diminuição mais rápida do desempenho e a maior esforço físico”.

A investigação revelou ainda que “características físicas como a altura e o peso do reanimador influenciam a performance, sendo que profissionais mais altos ou mais pesados tendem a alcançar compressões mais profundas com menor fadiga”. Já posicionamentos elevados e estáveis, como o uso de bancos de apoio ou o ajuste da altura da cama, “permitiram manter compressões eficazes durante mais tempo, enquanto posições instáveis comprometeram rapidamente a qualidade da reanimação.

Apesar de a fadiga muscular ser considerada inevitável durante a execução da RCR, os investigadores concluem que esta pode ser significativamente reduzida através de uma postura correta e de condições ergonómicas adequadas.

Com base nestes resultados, o grupo de investigação recomenda, ao nível individual, o treino sistemático de compressões com os braços a 90 graus e a adoção de posicionamentos ergonómicos. Ao nível organizacional, defende a existência de salas de emergência equipadas com camas ajustáveis, plataformas de apoio e programas de formação que integrem feedback objetivo não só sobre a técnica, mas também sobre a postura e a ergonomia do espaço.

O projeto QualityCPR contou com financiamento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia e da Laerdal Foundation e envolveu instituições académicas dos três países parceiros. Além das publicações científicas, o trabalho foi distinguido com o prémio de melhor investigação no Congresso da Sociedade Europeia de Simulação (SESAM 2025).

O consórcio prepara agora um novo projeto, o PRECISION-CPR, candidato a financiamento europeu, que pretende desenvolver sistemas de feedback personalizados baseados em Inteligência Artificial para apoiar os profissionais de saúde na execução de compressões de alta qualidade em condições ergonómicas otimizadas.