Investigador da FMUP propõe algoritmo para fotografia clínica segura
Estudo de José Paulo Andrade, professor e investigador da FMUP/RISE-Health, propõe algoritmo para apoiar médicos e cientistas forenses na utilização de fotografia clínica, garantindo o cumprimento das boas práticas e das regras de proteção de dados pessoais.

Segundo o investigador da FMUP/RISE-Health, o uso crescente de smartphones na fotografia médica levanta riscos significativos. “Muitas práticas atuais não cumprem plenamente a lei, sobretudo na obtenção de consentimento, no armazenamento das imagens e na forma como são partilhadas”, alerta.
O algoritmo desenvolvido funciona como um guia em formato de fluxograma, indicando passo a passo quando é possível fotografar, como fazê-lo em segurança e quais os procedimentos adequados para guardar e enviar as imagens. O documento inclui ainda exemplos de práticas aceitáveis e não aceitáveis.
De acordo com os autores, esta ferramenta poderá ser adotada por hospitais, institutos de medicina legal e outras entidades, contribuindo para reforçar a proteção dos dados de saúde e a confiança dos cidadãos.
A fotografia clínica desempenha um papel essencial na documentação da evolução dos doentes, no registo de procedimentos cirúrgicos e na partilha de informação entre profissionais de saúde. No entanto, o cumprimento do Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD) continua a colocar desafios, sobretudo quando os profissionais recorrem a dispositivos pessoais por falta de equipamentos institucionais.
José Paulo Andrade sublinha que muitas instituições de saúde ainda não estão preparadas para acompanhar a evolução tecnológica, especialmente no que diz respeito ao armazenamento e acesso às imagens. “A formação é mínima ou inexistente”, acrescenta.
Perante o aumento das exigências legais e dos processos relacionados com violação de dados, os investigadores defendem a adoção de boas práticas como elemento essencial para garantir a segurança e a conformidade na utilização de fotografia médica.
Além de José Paulo Andrade, colaboraram nesta investigação Mariana Cura (principal autora, formada em Medicina na FMUP e médica do Internato de Formação Especializada de Medicina Legal), Pedro Marcelino (médico do Internato de Formação Especializada de Medicina Legal) e Vanessa Rodrigues (assistente graduada) todos do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses – Delegação do Sul, e o investigador Ricardo Loureiro.




