Jorge Silveira: Antigo solista na Tuna da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa é um dos directores do Benfica

Jorge Silveira: Antigo solista da Tuna da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa é um dos directores do Benfica

Atual Director de Procurement do Sport Lisboa e Benfica é licenciado em Ciências Farmacêuticas pela Universidade de Lisboa, tem uma vasta experiência empresarial no Grupo Quilaban com provas dadas em Portugal, Angola, Guiné-Bissau, Moçambique e Índia. Nesta primeira parte da entrevista, ficamos ainda a saber que foi um dos fundadores da Tuna Académica da Faculdade de Farmácia da UL e fez parte da equipa da ANF que criou o famoso Sifarma 2000.

Jorge Silveira nos primeiros anos da TAFUL em digressão por Paris
A Tuna Académica de Farmácia da Universidade de Lisboa em 1996


Como foram os primeiros tempos na Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa (FFUL)?
Ia muito na lógica de passar por ali só durante o primeiro ano, ter algumas equivalências e depois repetir os exames e voltar a tentar a entrada em Medicina. Mas a Faculdade de Farmácia tinha uma magia que fazia com que muitos, alguns com a mesma ideia que eu, acabassem por ficar. Era o ambiente entre os colegas, as actividades paralelas, as dimensões extra-curriculares (sendo exemplo, a Associação de Estudantes, as equipas desportivas, etc. Como Presidentes da AE, tive a Paula Afonso, o Paulo Duarte e o João Norte.
Mas a Tuna ainda não existia. Eu entrei em 93 e, no ano seguinte, é criada uma Tuna mista, a Acetuna, na altura do boom das Tunas com o aparecimento de um programa de televisão, em 95, denominado EFE-ERRE-A, com várias eliminatórias. A Acetuna, embora fosse mista, tinha mais elementos masculinos, o que era incrível numa faculdade com 70 ou 80% de raparigas. Do que me lembro, éramos cerca de 16 homens e 5 mulheres. Uma dessas senhoras chama-se Helena Paradela e é hoje minha mulher. Tocava cavaquinho como eu.

Acetuna – A Tuna Mista da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa em 1994

De quem foi a ideia da criação da tuna?
O nosso eterno Luís Lourenço foi o grande impulsionador da Tuna. Ele estava na Estudantina Universitária de Lisboa e depois quis criar uma tuna na FFUL. Foi ele que juntou as pessoas, pelo gosto da música que tinha, pelo génio que era. É a ele que devemos a criação da tuna.

Luís Lourenço com a TAFUL em 1999
À volta do Lourenço havia sempre música
Além de ser o homem dos 7 instrumentos, era capaz de fintar uma equipa de futebol 5 dentro de uma cabina telefónica

Começaste logo como solista?

Um dia, apareci num ensaio e eles estavam a tocar uma música chamada “Cantar ao Desafio” (“Ainda tenho na lembrança/O brilho do teu olhar”) e havia uma parte de solista. Se calhar, o Lourenço nem devia saber bem o meu nome, mas deve ter dito: “É pá, canta lá aí. Canta lá aí essa parte”. Acho que correu bem e por lá fiquei.

E depois a tuna divide-se e a Acetuna acaba?
Foi um momento marcante com a saída de nove elementos masculinos da Acetuna para criar a Tuna Académica de Farmácia da Universidade de Lisboa (TAFUL) no dia 30 de junho de 1995. Portanto, a TAFUL fez agora 30 anos e eu sou um dos fundadores com o João Norte, o José Ascensão, o Hernâni Sério, o José Luís Sousa, o Luís Lourenço, o Sérgio Vilão, o José Segundo e o Rui Silva. Estes foram os nove que saíram da Acetuna naquela noite. E é a partir daí que, efetivamente, comecei a cantar mais. Há um momento marcante que, ainda hoje, me persegue no mundo das tunas que é a música do “Senhor Doutor”. Tivemos ainda um período com uma tuna masculina e uma tuna mista, porque alguns homens ficaram do lado da Acetuna. Mas depois eles saem, alguns vêm para a TAFUL e algumas das meninas fundam a tuna “A Feminina”.

ACETUNA – Tuna Mista da FFUL na Aula Magna, durante a Abertura do Ano Académico em 1994

E a relação com a tuna Feminina?
No início, era uma relação de clara rivalidade, o que tinha a haver essencialmente com a questão do enquadramento da faculdade e do modo como surgiu a tuna masculina. Mas hoje mantenho-me amigo de algumas pessoas que são fundadoras da Feminina. Ao longo dos anos, isso foi-se diluindo um pouco, porque já não havia aquela vertente histórica. E, entretanto, houve algumas ligações amorosas entre as duas tunas. De qualquer modo, a Tuna Feminina da FFUL é, neste momento, uma das melhores tunas femininas que existem por aí. O que acaba por ser normal, não é? Uma faculdade de mulheres manter uma tuna feminina forte seria normal. E elas fizeram justiça a isso.
Em relação à TAFUL, mantêm um espírito espectacular. A dinâmica é muito gira. São muitos e acho impressionante o número de elementos masculinos numa faculdade maioritariamente feminina. Eu diria que quase todos os rapazes da faculdade pertencem ou passaram pela TAFUL. Eu ainda vou, por vezes, alguns festivais e aos jantares e vejo que, globalmente, continuam a ser uma tuna muito animada e muito bons, nomeadamente na frente de palco. Mas é engraçado verificar que fazem questão de bem receber as pessoas mais velhas e de as convidar para estes eventos, acompanhando-nos enquanto lá estamos. É extremamente reconfortante e sinal do legado que construímos nestes 30 anos. Aproveito também para destacar que a TAFUL vai organizar o seu festival dos 30 anos durante o mês de Maio, pelo que serão todos bem-vindos para recordar os tempos de faculdade.