Jorge Silveira: Antigo solista da Tuna da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa é um dos directores do Benfica
Atual Director de Procurement do Sport Lisboa e Benfica é licenciado em Ciências Farmacêuticas pela Universidade de Lisboa, tem uma vasta experiência empresarial no Grupo Quilaban com provas dadas em Portugal, Angola, Guiné-Bissau, Moçambique e Índia. Nesta primeira parte da entrevista, ficamos ainda a saber que foi um dos fundadores da Tuna Académica da Faculdade de Farmácia da UL e fez parte da equipa da ANF que criou o famoso Sifarma 2000.


Como foram os primeiros tempos na Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa (FFUL)?
Ia muito na lógica de passar por ali só durante o primeiro ano, ter algumas equivalências e depois repetir os exames e voltar a tentar a entrada em Medicina. Mas a Faculdade de Farmácia tinha uma magia que fazia com que muitos, alguns com a mesma ideia que eu, acabassem por ficar. Era o ambiente entre os colegas, as actividades paralelas, as dimensões extra-curriculares (sendo exemplo, a Associação de Estudantes, as equipas desportivas, etc. Como Presidentes da AE, tive a Paula Afonso, o Paulo Duarte e o João Norte.
Mas a Tuna ainda não existia. Eu entrei em 93 e, no ano seguinte, é criada uma Tuna mista, a Acetuna, na altura do boom das Tunas com o aparecimento de um programa de televisão, em 95, denominado EFE-ERRE-A, com várias eliminatórias. A Acetuna, embora fosse mista, tinha mais elementos masculinos, o que era incrível numa faculdade com 70 ou 80% de raparigas. Do que me lembro, éramos cerca de 16 homens e 5 mulheres. Uma dessas senhoras chama-se Helena Paradela e é hoje minha mulher. Tocava cavaquinho como eu.

De quem foi a ideia da criação da tuna?
O nosso eterno Luís Lourenço foi o grande impulsionador da Tuna. Ele estava na Estudantina Universitária de Lisboa e depois quis criar uma tuna na FFUL. Foi ele que juntou as pessoas, pelo gosto da música que tinha, pelo génio que era. É a ele que devemos a criação da tuna.



Começaste logo como solista?

Um dia, apareci num ensaio e eles estavam a tocar uma música chamada “Cantar ao Desafio” (“Ainda tenho na lembrança/O brilho do teu olhar”) e havia uma parte de solista. Se calhar, o Lourenço nem devia saber bem o meu nome, mas deve ter dito: “É pá, canta lá aí. Canta lá aí essa parte”. Acho que correu bem e por lá fiquei.
E depois a tuna divide-se e a Acetuna acaba?
Foi um momento marcante com a saída de nove elementos masculinos da Acetuna para criar a Tuna Académica de Farmácia da Universidade de Lisboa (TAFUL) no dia 30 de junho de 1995. Portanto, a TAFUL fez agora 30 anos e eu sou um dos fundadores com o João Norte, o José Ascensão, o Hernâni Sério, o José Luís Sousa, o Luís Lourenço, o Sérgio Vilão, o José Segundo e o Rui Silva. Estes foram os nove que saíram da Acetuna naquela noite. E é a partir daí que, efetivamente, comecei a cantar mais. Há um momento marcante que, ainda hoje, me persegue no mundo das tunas que é a música do “Senhor Doutor”. Tivemos ainda um período com uma tuna masculina e uma tuna mista, porque alguns homens ficaram do lado da Acetuna. Mas depois eles saem, alguns vêm para a TAFUL e algumas das meninas fundam a tuna “A Feminina”.

E a relação com a tuna Feminina?
No início, era uma relação de clara rivalidade, o que tinha a haver essencialmente com a questão do enquadramento da faculdade e do modo como surgiu a tuna masculina. Mas hoje mantenho-me amigo de algumas pessoas que são fundadoras da Feminina. Ao longo dos anos, isso foi-se diluindo um pouco, porque já não havia aquela vertente histórica. E, entretanto, houve algumas ligações amorosas entre as duas tunas. De qualquer modo, a Tuna Feminina da FFUL é, neste momento, uma das melhores tunas femininas que existem por aí. O que acaba por ser normal, não é? Uma faculdade de mulheres manter uma tuna feminina forte seria normal. E elas fizeram justiça a isso.
Em relação à TAFUL, mantêm um espírito espectacular. A dinâmica é muito gira. São muitos e acho impressionante o número de elementos masculinos numa faculdade maioritariamente feminina. Eu diria que quase todos os rapazes da faculdade pertencem ou passaram pela TAFUL. Eu ainda vou, por vezes, alguns festivais e aos jantares e vejo que, globalmente, continuam a ser uma tuna muito animada e muito bons, nomeadamente na frente de palco. Mas é engraçado verificar que fazem questão de bem receber as pessoas mais velhas e de as convidar para estes eventos, acompanhando-nos enquanto lá estamos. É extremamente reconfortante e sinal do legado que construímos nestes 30 anos. Aproveito também para destacar que a TAFUL vai organizar o seu festival dos 30 anos durante o mês de Maio, pelo que serão todos bem-vindos para recordar os tempos de faculdade.



