Portugal destacado pela FIP como referência na vacinação em farmácia

Portugal destacado pela FIP como referência na vacinação em farmácia

Relatório da Federação Internacional Farmacêutica destaca Portugal como referência na vacinação em farmácias comunitárias, apontando o impacto do modelo português no aumento do acesso às vacinas.

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Portugal é apontado como um dos exemplos internacionais de sucesso na vacinação realizada em farmácias comunitárias, de acordo com um novo relatório da Federação Internacional Farmacêutica (FIP) que analisa a evolução, implementação e expansão destes serviços em sete países com sistemas considerados maduros nesta área.

O documento, intitulado Country Case Studies on Pharmacy-Based Vaccination: Policy, Implementation and Scale-Up, inclui estudos de caso de Portugal, Austrália, Canadá, França, Irlanda, Itália e Reino Unido, destacando as boas práticas que têm permitido reforçar o acesso da população à vacinação e melhorar as coberturas vacinais.

No caso português, a FIP sublinha que o país foi um dos pioneiros na Europa ao autorizar, desde 2008, a administração de vacinas em farmácias comunitárias para além das incluídas no Programa Nacional de Vacinação. O relatório destaca ainda a integração formal das farmácias na Campanha Nacional de Vacinação Sazonal contra a gripe e a COVID-19, concretizada em 2023, como um marco decisivo na evolução do modelo português.

Segundo o documento, Portugal dispõe atualmente de mais de 2 500 farmácias comunitárias e cerca de 11 mil farmacêuticos comunitários, dos quais aproximadamente 7700 estão habilitados para administrar vacinas, garantindo uma cobertura territorial alargada e uma resposta uniforme em meios urbanos, rurais e semiurbanos.

A FIP destaca igualmente o impacto alcançado pelas farmácias na vacinação sazonal. Durante a campanha de 2023/2024, as farmácias foram responsáveis por cerca de 70% das vacinas contra a gripe e a COVID-19 administradas aos adultos elegíveis, contribuindo para um aumento superior a quatro vezes do número de pontos de vacinação disponíveis no país. Esta expansão permitiu reduzir em cerca de 50% a distância média percorrida pelos cidadãos para se vacinarem, com melhorias particularmente relevantes em municípios onde o acesso aos serviços de saúde era mais limitado.

Entre os fatores apontados como determinantes para o sucesso português encontram-se a existência de um enquadramento legal estável, sistemas robustos de formação e certificação profissional, a integração digital com os sistemas do Serviço Nacional de Saúde e os elevados níveis de confiança da população nas farmácias comunitárias.

O relatório destaca ainda que a atividade de vacinação nas farmácias está plenamente integrada nos sistemas nacionais de informação em saúde, permitindo o registo eletrónico das vacinas administradas e assegurando rastreabilidade, continuidade de cuidados e articulação com as estratégias nacionais de imunização.

Apesar dos resultados positivos, a FIP identifica alguns desafios para o futuro, nomeadamente o acesso ainda limitado dos farmacêuticos ao histórico vacinal completo dos utentes, eventuais constrangimentos no fornecimento de vacinas e a necessidade de reforçar estratégias para combater a hesitação vacinal entre adultos.

Para a FIP, a experiência portuguesa demonstra como as farmácias comunitárias podem assumir um papel central nas estratégias nacionais de vacinação, contribuindo simultaneamente para aumentar a acessibilidade, aliviar a pressão sobre outras estruturas do sistema de saúde e reforçar a prevenção junto da população.