Portugal realiza primeiro estudo nacional sobre prevalência da doença renal crónica
Pesquisa é promovida pela Boehringer Ingelheim Portugal e vai contar com cerca de 3000 participantes em todo o país.

Portugal está a realizar, pela primeira vez, um estudo nacional de prevalência da doença renal crónica (DRC), uma iniciativa que pretende avaliar a verdadeira dimensão da patologia no país e identificar pessoas que vivem com a doença sem diagnóstico.
O projeto é promovido pela Boehringer Ingelheim Portugal, com apoio científico da Sociedade Portuguesa de Nefrologia e apoio institucional da Associação Portuguesa de Insuficientes Renais.
Apesar de se estimar que a doença renal crónica afete até 10% da população adulta, Portugal continua sem dados nacionais recentes e abrangentes que permitam compreender o impacto real da doença, considerada silenciosa e frequentemente diagnosticada apenas em fases avançadas.
“Pela primeira vez, teremos dados robustos e representativos sobre a prevalência real da doença renal crónica, essenciais para melhorar o diagnóstico precoce e orientar políticas de saúde mais eficazes.”
Edgar Almeida, presidente da Sociedade Portuguesa de Nefrologia
O estudo, que será um marco para a nefrologia em Portugal, irá envolver cerca de 3000 participantes selecionados de forma aleatória e representativa em Portugal continental, Açores e Madeira. O objetivo passa por identificar casos já conhecidos, mas também pessoas que poderão viver com doença renal crónica sem o saber.
Paulo Urbano, presidente da APIR, destaca o impacto potencial do projeto para os doentes: “Para quem vive com doença renal, informação significa melhores cuidados e mais qualidade de vida. Este projeto dá visibilidade a uma condição muitas vezes silenciosa e permite que o país conheça, finalmente, a verdadeira dimensão do problema”, refere.
A execução do estudo está a cargo da IQVIA, empresa internacional especializada em investigação epidemiológica e estudos em saúde. O recrutamento dos participantes está a ser realizado porta a porta por equipas qualificadas, através de questionários e avaliação da função renal com análises ao sangue e à urina.
A iniciativa integra o Projeto HÉRCULES, dedicado à geração de evidência de mundo real nas áreas cardiorrenal e metabólica.
De acordo com Noélia Lopez, Diretora Médica da Boehringer Ingelheim Portugal, a doença renal crónica continua subdiagnosticada devido à ausência de sintomas nas fases iniciais, referindo que esta patologia “é uma condição silenciosa, raramente sintomática nas fases iniciais e, por isso, é frequentemente diagnosticada tardiamente, mesmo nas pessoas de risco”.
Além de estimar a prevalência da doença em Portugal, o estudo pretende também identificar fatores de risco e analisar a relação da DRC com outras patologias frequentes, como doenças cardiovasculares e metabólicas.
Os resultados deverão ser divulgados no final de 2026 junto da comunidade científica, profissionais de saúde e decisores políticos. A doença renal crónica é atualmente reconhecida como um importante problema de saúde pública global, estando associada a aumento do risco cardiovascular, necessidade de diálise e mortalidade precoce. Especialistas defendem que o diagnóstico precoce continua a ser um dos principais desafios para reduzir o impacto clínico e económico da doença.
Saiba mais sobre o estudo aqui.





