Estudo da Universidade de Aveiro identifica peptídeos com potencial terapêutico no cancro da próstata
Equipa de investigadores da Universidade de Aveiro identifica peptídeos experimentais capazes de reduzir significativamente a viabilidade de células de cancro da próstata, num trabalho que poderá abrir novas perspetivas terapêuticas para esta doença oncológica.

Margarida Fardilha e Renato Rodrigues, investigadores do Departamento de Ciências Médicas da Universidade de Aveiro e autores do estudo
O estudo centrou-se na proteína fosfatase 1 (PP1), uma enzima envolvida em vários processos celulares e que, segundo investigações recentes, poderá desempenhar um papel importante na progressão do cancro da próstata ao aumentar a atividade do recetor de androgénio, incluindo em formas resistentes à terapêutica hormonal.
Para explorar esta hipótese, os investigadores testaram peptídeos desenhados para mimetizar domínios específicos do recetor de androgénio (AR), funcionando como “iscos moleculares” dirigidos à PP1. Estes compostos foram combinados com bioportídeos conhecidos como MSS1 e mitoparan e avaliados em duas linhas celulares de cancro da próstata: LNCaP e PC3.
O trabalho foi desenvolvido por Renato Rodrigues, Juliana Felgueiras, Bárbara Matos e Margarida Fardilha, do Departamento de Ciências Médicas da universidade, em colaboração com investigadores do Instituto Português de Oncologia do Porto e da University of Wolverhampton.
Os resultados demonstraram que os peptídeos foram capazes de entrar nas células tumorais, sendo que um deles revelou maior capacidade de internalização celular. Quando utilizados individualmente, os compostos já conseguiam reduzir a viabilidade celular, mas o efeito revelou-se mais expressivo quando os três peptídeos foram administrados em conjunto.
Segundo os investigadores, “a combinação reduziu a viabilidade celular para cerca de 68% nas células LNCaP e 80% nas células PC3, sugerindo um efeito antitumoral potencialmente relevante em contexto laboratorial”.
Curiosamente, os autores não observaram alterações na expressão do recetor de androgénio nem do antigénio específico da próstata (PSA), dois biomarcadores frequentemente associados à progressão da doença. Este resultado sugere que os mecanismos de ação envolvidos poderão ser diferentes dos habitualmente explorados nas terapias hormonais dirigidas ao cancro da próstata.
Os investigadores sublinham, no entanto, que serão necessários estudos adicionais para compreender em detalhe os mecanismos moleculares envolvidos e avaliar o potencial clínico destes bioportídeos.




