Despesa do SNS com medicamentos cresce para 4,4 mil milhões impulsionada pela inovação terapêutica
Encargos do SNS com medicamentos atinge 4,4 mil milhões de euros em 2025, com Ordem dos Farmacêuticos a alertar para a necessidade de garantir sustentabilidade.

A despesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS) com medicamentos atingiu os 4,4 mil milhões de euros em 2025, segundo os dados mais recentes divulgados pelo INFARMED. O valor inclui tanto os medicamentos hospitalares como a comparticipação de fármacos em ambulatório e reflete, segundo a Ordem dos Farmacêuticos, o atual contexto de forte inovação terapêutica.
De acordo com os dados do regulador, a despesa hospitalar com medicamentos ascendeu a 2,5 mil milhões de euros, representando um aumento homólogo de 11,2%. A oncologia voltou a concentrar a maior fatia da despesa hospitalar, representando 34,3% do total e registando um crescimento de 16%. Já no ambulatório, a despesa suportada pelo SNS atingiu 1.893,8 milhões de euros, mais 12,4% face ao período homólogo. A despesa paga diretamente pelos utentes alcançou 966,1 milhões de euros, traduzindo um aumento de 4,9%.
Para Helder Mota Filipe, bastonário da Ordem dos Farmacêuticos (OF), o crescimento da despesa era expectável e acompanha a chegada de novas terapêuticas ao mercado, afirmando que “estamos a ter mais inovação terapêutica e a resolver problemas que até agora não conseguiam ser tão bem resolvidos ou não eram resolvidos de todo”.
O bastonário destaca sobretudo o impacto de medicamentos inovadores utilizados em áreas como diabetes, oncologia e anticoagulação oral, sublinhando que o aumento da despesa deve ser analisado à luz dos ganhos clínicos associados às novas terapêuticas.
Ainda assim, a OF alerta para a necessidade de garantir a sustentabilidade financeira do sistema de saúde sem comprometer o acesso dos doentes aos medicamentos. “Temos que discutir de que maneira é que podemos manter o sistema sustentável e ter mecanismos para gastar menos do que estamos a gastar, mantendo o acesso aos medicamentos”, defende Helder Mota Filipe.
Entre as medidas apontadas pela OF está o reforço de mecanismos de pagamento por resultados e modelos de partilha de risco com a indústria farmacêutica, permitindo uma monitorização mais eficaz da efetividade terapêutica e eventual renegociação dos preços dos medicamentos.
A OF considera igualmente prioritária “a implementação integral do Sistema Nacional de Avaliação de Tecnologias de Saúde (SiNATS), defendendo uma revisão dos modelos de comparticipação e reavaliação do valor terapêutico dos medicamentos e outras tecnologias de saúde”.
Os dados do INFARMED revelam ainda uma quebra de cerca de 1% na quota de medicamentos genéricos, invertendo uma tendência de crescimento observada desde, pelo menos, 2011. Para a OF, o aumento da utilização de medicamentos genéricos continua a ser essencial para libertar recursos financeiros e garantir o acesso dos doentes à inovação terapêutica.
“Os mecanismos de prescrição devem ser revisitados para maximizar a utilização de genéricos, quer pelos médicos, quer pelos farmacêuticos, de forma custo-efetiva e sem diminuir o acesso dos utentes aos medicamentos”, refere Helder Mota Filipe.
Especialistas têm vindo a alertar que o crescimento da despesa farmacêutica deverá continuar nos próximos anos, impulsionado pela chegada de terapias avançadas, medicamentos biotecnológicos e tratamentos personalizados, sobretudo nas áreas da oncologia, doenças raras e doenças crónicas complexas.




