Ordem dos Enfermeiros defende novo modelo do INEM e rejeita redução de meios

Ordem dos Enfermeiros defende novo modelo do INEM e rejeita redução de meios

Defesa da reorganização do INEM garante que o novo modelo torne a resposta mais rápida e adequada.

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A Ordem dos Enfermeiros (OE) veio defender a reorganização em curso no Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), rejeitando as críticas de que o novo modelo implique uma redução dos meios disponíveis no Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM). Num comunicado de imprensa divulgado pela OE, a entidade considera que a alteração permitirá adequar melhor os recursos às necessidades de cada ocorrência.

Segundo esse documento, o novo modelo “não reduz a capacidade de resposta”, mas “reorganiza os meios disponíveis para garantir uma intervenção mais rápida e adequada à situação clínica de cada pessoa”. O bastonário da OE, Luís Filipe Barreira, considera mesmo que se trata do modelo “que mais protege as pessoas”, por permitir “levar cuidados diferenciados mais depressa a quem está em risco de vida”.

A organização considera que a segurança na emergência médica não depende apenas do número de veículos mobilizados, mas da capacidade de fazer chegar ao local “a equipa certa, com as competências certas, no menor tempo possível”. Nesse sentido, a OE classifica a reorganização como “uma excelente estratégia de política de saúde” e manifesta o seu apoio à concretização do novo modelo.

Uma das alterações previstas passa por uma utilização mais diferenciada dos meios disponíveis. De acordo com o comunicado, as ambulâncias asseguram o transporte dos doentes, enquanto as equipas diferenciadas levam os cuidados de emergência até ao local da ocorrência. A mudança pretende aumentar a mobilidade e a autonomia operacional dos enfermeiros e reduzir o período em que estas equipas permanecem indisponíveis.

“Este é o modelo que mais protege as pessoas. Permite levar cuidados diferenciados mais depressa a quem está em risco de vida e libertar os enfermeiros para responderem a novas emergências. A participação dos enfermeiros na triagem das chamadas recebidas nos Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) reforça a capacidade de avaliar o risco, definir prioridades e selecionar a resposta adequada desde o primeiro contacto.”
Luís Filipe Barreira, bastonário da OE

A OE refere que as ocorrências de prioridade máxima representam cerca de 10% das chamadas recebidas pelo INEM. Nestes casos, são mobilizados meios de transporte e, quando clinicamente necessário, uma equipa diferenciada com médico e/ou enfermeiro. Nos primeiros seis meses de 2026, em 90% das situações em que foi ativada uma equipa de Suporte Imediato de Vida (SIV), também foi acionada outra ambulância, tendo sido, na maioria desses casos, mobilizados dois veículos com capacidade de transporte para uma única vítima.

Com a reorganização, a OE garante que a capacidade operacional das equipas SIV será mantida. A utilização de viaturas ligeiras permitirá, segundo o comunicado, chegar mais rapidamente ao local, cobrir uma área geográfica mais abrangente e recuperar mais cedo a disponibilidade operacional. Depois da estabilização do doente, o transporte poderá ser assegurado por uma ambulância de Suporte Básico de Vida (SBV), sempre que não seja necessário acompanhamento diferenciado.

Outra das mudanças destacadas pela OE entra em vigor a 1 de setembro, com a participação de enfermeiros na triagem das chamadas recebidas nos Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU), utilizando o Sistema de Triagem de Manchester.

A medida pretende reforçar a avaliação do risco logo no primeiro contacto e permitir uma definição mais adequada das prioridades e dos meios a mobilizar. Para a Ordem dos Enfermeiros, esta alteração “reconhece as competências clínicas dos enfermeiros” e reforça a capacidade do sistema para selecionar a resposta adequada a cada situação.

O comunicado aborda ainda a reorganização das Ambulâncias de Emergência Médica, esclarecendo que estas passarão também a assumir um papel no transporte inter-hospitalar de doentes críticos. A OE salienta que o modelo não abrange todas as transferências entre hospitais, destinando-se sobretudo a situações em que o tempo de resposta pode interferir diretamente com o prognóstico.

Neste ponto, a OE rejeita diretamente a ideia de que o novo modelo retire cerca de uma centena de ambulâncias do sistema. “É incorreto afirmar que esta reorganização retira uma centena de ambulâncias ao sistema”, afirma Luís Filipe Barreira, explicando que parte desses meios continuará integrada no dispositivo, embora passe a operar a partir de bases hospitalares.

Concluindo, a OE refere que, quando não estiverem envolvidos em transportes inter-hospitalares de doentes críticos, estes “meios continuarão disponíveis para outras ocorrências, integrados numa gestão em rede que envolve cerca de 560 ambulâncias dos bombeiros e da Cruz Vermelha Portuguesa”.