Apenas 5% dos portugueses faz rastreio regular às infeções sexualmente transmissíveis

Apenas 5% dos portugueses faz rastreio regular às infeções sexualmente transmissíveis

Estudo da GfK Metris para a Roche Portugal revela que apenas 5% dos portugueses realiza rastreios regulares às infeções sexualmente transmissíveis. Estigma, vergonha e falta de informação continuam a ser barreiras.

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Apesar de a maioria dos portugueses afirmar conhecer as infeções sexualmente transmissíveis (IST), apenas 5% da população realiza exames de rastreio de forma regular, mesmo sem apresentar sintomas. A conclusão resulta do estudo Perceção da população portuguesa sobre as infeções sexualmente transmissíveis, realizado pela GfK Metris para a Roche Portugal.

Os resultados foram apresentados durante a terceira edição do ID Symposium, iniciativa promovida pela Roche que reuniu especialistas para debater os principais desafios relacionados com as doenças infeciosas e as IST em Portugal.

Segundo o inquérito, existe uma perceção generalizada da importância do rastreio: 53% dos participantes consideram que os exames devem ser realizados regularmente, mesmo na ausência de sintomas. Contudo, esta consciência não se traduz em comportamentos preventivos, uma vez que apenas uma pequena minoria realiza efetivamente o rastreio.

O estudo revela ainda que a perceção da gravidade das IST influencia a predisposição para realizar exames. Entre os inquiridos que associam uma infeção sexualmente transmissível à morte como principal consequência, 69% afirmam fazer rastreio. A adesão também aumenta entre aqueles que associam estas doenças à infertilidade (53%) ou ao cancro (52%).

Os dados sugerem que a baixa adesão aos exames não resulta apenas de desconhecimento, mas também da forma como a população perceciona os riscos associados às infeções.

Estigma e mitos como barreiras
Entre os participantes que identificam obstáculos à realização de testes, o estigma surge como a principal dificuldade. Cerca de 32% dos inquiridos referem que as barreiras sociais são o principal motivo para não realizar rastreios. A vergonha ou constrangimento em pedir um teste afeta particularmente pessoas entre os 36 e os 49 anos e indivíduos solteiros. Já 30% apontam o receio da exposição perante familiares, amigos ou colegas como fator condicionante.

O estudo indica que a população portuguesa apresenta um elevado grau de conhecimento sobre algumas IST, nomeadamente o VIH. Cerca de 92% dos inquiridos afirmam saber o que são as infeções sexualmente transmissíveis e 90% reconhecem o VIH como uma destas doenças.

Contudo, persistem lacunas importantes. Apesar de 89% saberem que o VIH é tratável, 14% acreditam erradamente que existe uma cura. Também relativamente ao herpes genital permanecem algumas ideias incorretas: 49% dos participantes consideram que a doença pode ser curada, quando se trata de uma infeção crónica cujo tratamento permite controlar os surtos, mas não eliminar o vírus.

O estudo mostra ainda diferenças significativas no reconhecimento de outras IST. Enquanto o VIH é identificado por 90% dos inquiridos, apenas 53% reconhecem a gonorreia e 45% a clamídia como infeções sexualmente transmissíveis.

Os resultados revelam igualmente diferenças geracionais relevantes. Os mais jovens demonstram uma compreensão mais abrangente dos riscos associados às IST, incluindo a possibilidade de transmissão por portadores assintomáticos e a importância da prevenção. Já os grupos etários mais velhos tendem a recorrer a estratégias de prevenção mais tradicionais.

A maioria dos participantes identifica corretamente as relações sexuais sem preservativo como a principal via de transmissão das IST (93%), seguida da transmissão através de sangue contaminado (48%) e da partilha de seringas (45%). O inquérito conclui que existe uma forte procura por mais informação e educação sobre estas doenças. Cerca de 95% dos portugueses consideram fundamental abordar as IST no contexto escolar.

Embora oito em cada dez inquiridos afirmem nunca ter tido uma infeção sexualmente transmissível, 13% reportam já ter vivido essa experiência. Entre os homens, a prevalência é quase o dobro da observada nas mulheres (17% versus 9%).

Os resultados reforçam a necessidade de investir em campanhas de sensibilização, educação para a saúde e estratégias de combate ao estigma, promovendo uma maior adesão ao rastreio e ao diagnóstico precoce das infeções sexualmente transmissíveis.