Congresso Mundial da FIP direciona o futuro da profissão farmacêutica

Congresso Mundial da FIP direciona o futuro da profissão farmacêutica

Decorreu, em Montréal, no Canadá, o 84.º Congresso Mundial da Federação Internacional Farmacêutica (FIP), que contou com a participação de milhares de farmacêuticos a nível internacional, destacando-se a participação da Ordem dos Farmacêuticos, e a implementação da Declaração de Montreal sobre Doenças Não Transmissíveis, assinada pelo Bastonário Helder Mota Filipe. O Congresso visou a partilha de experiências e modelos de intervenção farmacêutica internacional, de modo a garantir a prevenção da doença e promoção da saúde, salientando que o farmacêutico deve ser inserido numa equipa multidisciplinar, tendo competências para prestar cuidados de saúde primários à população, centrados no doente.

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Foto: Ordem dos Farmacêuticos


O 84.º Congresso Mundial da Federação Internacional Farmacêutica (FIP), decorreu em Montreal, entre 30 de agosto e 2 de setembro, tendo a participação de 3250 farmacêuticos, sendo que a Ordem dos Farmacêuticos também marcou a sua presença, bem como investigadores, académicos, reguladores e dirigentes de 112 países. O tema do congresso foi One Health, One Pharmacy- Bridging science, practice and education e debateu o futuro da profissão farmacêutica no âmbito da saúde global. 

Um dos destaques do congresso foi a prevenção e a gestão das doenças não transmissíveis, sendo que o Bastonário da Ordem dos Farmacêuticos, Helder Mota Filipe, assinou a Declaração de Montreal sobre Doenças Não Transmissíveis, promovida pela Federação Internacional Farmacêutica (FIP), reforçando a posição dos farmacêuticos na prevenção de doenças crónicas e promoção de saúde, estando estes profissionais de saúde em contacto próximo com as populações e integrados nos cuidados de saúde primários, sendo por isso crucial a sua intervenção na prevenção, deteção precoce de fatores de risco, acompanhamento de doentes crónicos, promoção da adesão à terapêutica, vacinação e educação para a saúde. A FIP defende a integração dos farmacêuticos nas equipas multidisciplinares e centradas no doente. Pode consultar a declaração aqui.

A inteligência artificial e a utilização de dados em saúde, também foi um tema importante discutido no congresso. É importante garantir que estas inovações tecnológicas são utilizadas de uma forma ética e humana na prestação de cuidados.

A Ordem dos Farmacêuticos reuniu com outras organizações de modo a serem partilhados diferentes modelos de organização e intervenção farmacêutica em vários países como o Canadá e o Brasil, e apresentou 17 pósteres científicos abrangendo a diversidade da intervenção farmacêutica. 

No decorrer deste evento, Lars-Åke Söderlund da Suécia foi o novo presidente eleito para a FIP de 2027 a 2031. 

O Bastonário reforçou o compromisso da Ordem dos Farmacêuticos na evolução da profissão, através da valorização das competências farmacêuticas, da cooperação internacional e da partilha de conhecimento, valorizando os desafios das pessoas e dos sistemas de saúde, relevando o reconhecimento da competência dos farmacêuticos na administração de vacinas e medicamentos injetáveis em Portugal, formação esta que passou a fazer parte do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas (MICF), de modo a amplificar a atuação do farmacêutico na prestação de cuidados de saúde.

Foram também apresentadas pela Ordem dos Farmacêuticos: a Competência Farmacêutica em Saúde Pública, implementada em 2025, que reconhece conhecimentos e capacidades diferenciadas para a intervenção dos farmacêuticos e a Competência Farmacêutica em Investigação Clínica, a decorrer igualmente desde 2025, que reconhece a preparação diferenciada dos farmacêuticos na área de investigação clínica. 

Os pontos-chave que surgiram do Congresso baseiam-se em 4 projeções para o futuro da profissão: numa visão integrada da saúde e da profissão farmacêutica; numa maior integração das farmácias nos cuidados de proximidade, inovação sustentada em conhecimento e evidencia, e na capacitação contínua das equipas.

Ema Paulino, presidente da ANF refere que “Muitos dos caminhos apontados neste Congresso já têm expressão concreta em Portugal. A vacinação nas farmácias, a dispensa de medicamentos hospitalares em proximidade e o percurso que estamos a desenvolver na intervenção em Situações Clínicas Ligeiras são exemplos da capacidade do setor para transformar a inovação em respostas efetivas de saúde pública e fazem de Portugal uma referência além-fronteiras”.

Os farmacêuticos devem, portanto, amplificar o seu trabalho de excelência, projetando as suas competências em benefício da saúde dos utentes e da sustentabilidade do sistema de saúde.

Fontes: Ordem dos Farmacêuticos e Associação Nacional das Farmácias