Farmacêuticos defendem intervenção para tratar situações clínicas ligeiras e aliviar SNS
Ordem dos Farmacêuticos volta a defender implementação da intervenção em situações clínicas ligeiras, considerando esta medida essencial para melhorar o acesso aos cuidados de saúde e reduzir a pressão sobre o Serviço Nacional de Saúde.

Esta posição surge num contexto de crescente procura por cuidados de saúde, impulsionada pelo envelhecimento da população e pelo aumento da prevalência de doenças crónicas, fatores que têm contribuído para a sobrecarga dos cuidados de saúde primários e dos serviços de urgência.
Segundo a Ordem dos Farmacêuticos (OF), muitas destas situações correspondem a condições não urgentes (como infeções respiratórias ligeiras, infeções urinárias ou dores de garganta), que podem ser avaliadas e acompanhadas em farmácia, com base em protocolos clínicos definidos.
A implementação deste modelo permitiria que os farmacêuticos interviessem na gestão destas situações, assegurando o aconselhamento adequado, a dispensa de terapêutica quando indicado e o encaminhamento para outros níveis de cuidados sempre que necessário. A medida é vista como uma forma de tornar o sistema mais eficiente, promovendo uma melhor utilização dos recursos disponíveis e maior proximidade dos cuidados junto da população.
De acordo com dados citados pela OF, milhões de atendimentos realizados anualmente no SNS dizem respeito a situações clínicas ligeiras que poderiam ser resolvidas fora do contexto hospitalar ou dos cuidados primários, libertando capacidade para casos mais complexos.
Também por isso, a OF refere que “tem estado a acompanhar este assunto com o Ministério da Saúde, no sentido da implementação de protocolos de gestão por farmacêuticos comunitários de situações clínicas ligeiras, que seja desenhada como uma estratégia abrangente, envolvendo a Ordem dos Médicos”, pode ler-se no site oficial.
Experiências internacionais em países como Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte, Canadá, França, Irlanda, Austrália ouSuíça têm demonstrado o potencial deste tipo de abordagem, com benefícios ao nível da redução de consultas médicas desnecessárias e da melhoria do acesso dos utentes aos cuidados de saúde.
Para a OF, a intervenção estruturada em situações clínicas ligeiras representa também um reconhecimento do papel clínico da farmácia comunitária e da sua integração no sistema de saúde, reforçando a capacidade de resposta às necessidades atuais da população.




