Índice de Saúde Sustentável alerta para pressão financeira e fragilidades no acesso no SNS

Índice de Saúde Sustentável alerta para pressão financeira e fragilidades no acesso no SNS

Estudo da NOVA IMS e da AbbVie revela agravamento da pressão financeira no SNS e identifica o acesso aos cuidados como uma das áreas mais frágeis do sistema.

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O Serviço Nacional de Saúde (SNS) continua a revelar fragilidades significativas ao nível da acessibilidade e da sustentabilidade financeira, apesar de os portugueses reconhecerem o impacto positivo do sistema na saúde, qualidade de vida e produtividade. A conclusão é do mais recente Índice de Saúde Sustentável (IS²), uma iniciativa da NOVA IMS e da AbbVie, que avalia a sustentabilidade do SNS numa escala de 0 a 100.

Em 2025, o índice fixou-se nos 59,3 pontos, refletindo um contexto marcado pelo aumento da despesa pública em saúde, pela subida da dívida vencida e por dificuldades persistentes no acesso aos cuidados. Segundo o relatório, a despesa do SNS aumentou 9,1% e o stock da dívida vencida cresceu 31%, agravando a pressão financeira sobre o sistema.

Além da componente financeira, o estudo analisa dimensões como qualidade técnica e percecionada, capacidade assistencial, acessibilidade e capacidade preventiva. Entre os indicadores mais preocupantes destaca-se precisamente o acesso aos cuidados de saúde. A acessibilidade técnica do SNS caiu de 51 pontos em 2024 para 47,6 em 2025, mantendo-se como uma das áreas mais frágeis do sistema. Já a acessibilidade percecionada pelos utentes permaneceu praticamente inalterada, passando de 65,5 para 65,3 pontos.

A capacidade assistencial registou igualmente uma ligeira redução de 1,1%, invertendo a tendência de crescimento observada desde 2021. A qualidade técnica dos cuidados também sofreu uma descida ligeira, embora a qualidade percecionada pelos utentes tenha estabilizado.

Pela primeira vez, o estudo inclui uma componente dedicada à capacidade preventiva. Os dados mostram que 73% dos portugueses afirmam ter realizado ações preventivas no último ano, sobretudo análises clínicas, consultas de rotina no SNS e exames de diagnóstico. O índice de capacidade preventiva situou-se nos 64,7 pontos.

Apesar das fragilidades identificadas, os portugueses continuam a avaliar positivamente o impacto do SNS. O índice global de eficácia do sistema atingiu 69,9 pontos, com destaque para o contributo percebido na melhoria da qualidade de vida e do estado de saúde da população. Os profissionais de saúde e a informação prestada continuam entre os aspetos mais valorizados pelos utentes.

O relatório sublinha ainda o impacto económico do SNS. Segundo os dados apresentados, os cuidados prestados permitiram evitar perdas de produtividade equivalentes a 11,1 dias por pessoa, traduzindo-se numa poupança estimada de seis mil milhões de euros. Somando os efeitos na redução do absentismo laboral, o contributo económico direto do SNS ascende a 6,8 mil milhões de euros, correspondendo a um retorno económico estimado em 10,2 mil milhões de euros.

No campo da modernização tecnológica, cerca de metade dos utentes considera positiva a evolução dos equipamentos utilizados no SNS e 61% acreditam que o sistema utiliza adequadamente tecnologias digitais. Contudo, apenas 34% consideram que os doentes em Portugal têm acesso atempado a medicamentos inovadores através do SNS.

Pedro Simões Coelho, Professor da NOVA IMS e autor do estudo, sublinha que “a sustentabilidade do SNS não pode ser avaliada apenas pela despesa ou pela capacidade de resposta”, defendendo que o futuro do sistema exige “uma abordagem integrada”, centrada no reforço da prevenção, na melhoria do acesso, no investimento em inovação e na garantia de que os recursos disponíveis se traduzem em ganhos efetivos para os cidadãos e para o país.